Terrence
Malick cria aqui um filme sensível, por vezes poético, sobre os conflitos
humanos e psicológicos encontrados em uma guerra. Diferente de qualquer outro
filme do gênero, Malick explora também os efeitos naturais do evento. Temos a natureza como algo vivo, pulsante, durante as quase três horas de filme. ‘Além da Linha Vermelha’ talvez não seja o melhor filme sobre
guerras já feito, mas é, sem dúvida, o mais visceral presente no gênero.

O foco do
filme, inspirado na biografia de James Jones, é revelar a vida, em meio a uma
batalha durante a 2ª guerra mundial, de inúmeros combatentes de determinado
exército. São expostos no longa os conflitos psicológicos encontrados por
eles. Sejam eles quais forem, o brilho da história se encontra em não dar foco
em conflitos de determinados personagens. Aqui, todos têm importância
igual, desde um soldado confuso sobre seu papel no mundo, até um comandante com
sua vida focada simplesmente na guerra, em vencê-la.
Um dos
maiores acertos do filme é alocar de maneira poética o que se passa na cabeça
de cada um inserido naquele combate. Suas dúvidas e posições sobre aquele
evento são colocadas por Malick de maneira genial. Seus posicionamentos são
contados de maneira narrativa no filme, indiferentemente de qual cena esteja
sendo mostrada. As situações contadas são mostradas sem pressa, desenvolvendo o
máximo possível o quadro, seja ele dos seres humanos ou da natureza ali
presente.
A substância
contemplativa do filme somente aprofunda a imersão do espectador em meio ao
ambiente vivido por aqueles homens. Todo aquele verde mostrado e apreciado pelo
filme serve como porta para adentrarmos à vida presente naquele ambiente e que
está por se esvair. A morte é algo natural no lugar, porém, não menos dolorida. O
ambiente parece sucumbir a cada vida desperdiçada pelos conflitos.
O filme ainda
nos pergunta de onde vem tantas motivações para atos incompreensíveis que são expostos na trama, sem se dar ao trabalho de respondê-la ou ao menos tentar. Malick
adentra ao campo do estudo social para encontrar as razões para que, em
determinados momentos, os seres humanos ajam de determinada forma. Durante grande
parte do longa, o adversário do exército destrinchado por Malick é invisível. A
impressão é que a batalha enfrentada pelos soldados é interna, contra si mesmos.
Diferente de
outros filmes comandados pelo diretor, como ‘A Árvore da Vida’(2011), o
conceito poético intrínseco ao longa não é demasiado. Aqui, ele explora à perfeição toda a poesia do ambiente em questão. Malick decide por fazer a
abordagem do filme de forma parecida com ‘Apocalypse Now’(1979), dando
foco ao todo, no qual o personagem principal vive uma verdadeira jornada
conhecendo diversas pessoas diferentes. O brilho do filme também é acentuado
pela ótima trilha sonora propiciada por Hans Zimmer, servindo como expansão dos
conflitos psicológicos vividos pelos personagens.
O elenco
encorpado é outro ponto que alavanca a qualidade do filme. Temos inúmeros
nomes de respeito inclusos no filme, como Sean Penn, Woody Harrelson, Nick
Nolte e Adrien Brody. O comando ficou a encargo de Jim Caviezel. Caviezel,
assim como Charlie Sheen em ‘Platoon’(1986), talvez seja o ponto fraco do
filme. Apesar de bom ator, faltou a Caviezel um pouco mais de intensidade pra
encarnar o papel dado a ele.
‘Além da
Linha Vermelha’ é um belo filme. Diferente de vários outros filmes com temática
parecida, como ‘A Lista de Schindler’(1993), a película decide por não estampar
a maldade no rosto dos adversários. O bem e mal aqui é questionado, sendo que
no ambiente relatado só há o mal. Todos ali são expoentes do que há de pior no
mundo. Não há espaço para salvação. O elenco robusto só serve para que
Malick consiga dar determinada substância a todos os personagens estudados. Um dos melhores filmes do gênero já produzidos.
Nota CI: 7,6 Nota IMDB: 7,6
Filmografia:
ALÉM da Linha
Vermelha. Direção: Terrence Malick. 1998. 170 min. Título Original: The Thin
Red Line.
ÁRVORE da
Vida, A. Direção: Terrence Malick. 2011. 139 min. Título original: The Tree of
Life.
PLATOON.
Direção: Oliver Stone. 1986. 120 min.
LISTA de
Schindler. Direção: Steven Spielberg. 1993. 195 min. Título Original: Schindler’s List.