O bom diretor
Hal Ashby tenta trazer com ‘Amargo Regresso’ um filme emocionante
sobre a dissolução de um triângulo amoroso improvável. Utilizando um elenco de
peso e a sensibilidade presente em sua filmografia, Ashby acaba parando na
superficialidade do roteiro limitado. Um filme regular, que acaba valendo a pena
ser assistido mais pela junção de atores clássicos de Hollywood do que, propriamente, por sua
história.
O filme vai
contar a história de Sally Hyde, uma
esposa de um capitão do exército americano (Bob Hyde), que, enquanto seu marido está lutando no
Vietnã,  acaba se apaixonando por um
militar veterano ferido em guerra e agora paralítico (Luke Martin). A
trama vai se concentrar na aproximação de Sally e Luke e nas implicações que o
relacionamento dos dois acaba causando quando Bob volta do Vietnã.
A forma como
a relação de Sally e Luke é construída é onde o filme começa a tropeçar em suas
próprias resoluções. Sally é uma mulher acostumada com a vida em uma classe
social mais elevada, que se enxerga imersa em um vazio existencial e resolve ser
voluntária em um hospital de veteranos. Luke é um veterano de guerra paralítico
que nutre um ódio pelos contornos que a vida lhe ofereceu. A relação entre os
dois é consumada muito rápida. Todos os conflitos que este romance poderia
causar nos dois são descartados pelo filme.
O roteiro
escolhe por soluções simples e fáceis. Todas as situações adversas enfrentadas
pelos personagens acabam se resolvendo na cena seguinte. A construção de cada
personagem é feita de maneira superficial. Os dramas vividos por eles poderiam
ser explorados de uma maneira bem mais complexa. A impressão é que a
simplicidade da história foi concebida de maneira intencional, para entreter o
espectador sem fazê-lo pensar muito.
Na tentativa
de tornar ‘Amargo Regresso’ o mais palatável possível ao público, o diretor dá
a maior sensibilidade possível à história, sempre explorando o máximo do talento dos atores. Aqui, é utilizada uma trilha sonora melodramática e uma
cinematografia lírica (trabalho de Haskell Wexler).
No elenco
encontramos a parte realmente atrativa do filme. Temos Jane Fonda (Sally
Hyde), Jon Voight (Luke Martin) e
Bruce Dern (Bob Hyde). O talento dos atores é o que rege a atmosfera do
filme. Todos nutrem uma química inerente na presença de seu companheiro de
cena, seja ele qual for. O destaque vai para a atuação de Jane Fonda, que
consegue trazer determinada substância à sua personagem mesmo com o material
limitado do roteiro em mãos.
‘Amargo
Regresso’ é o entretenimento perfeito para aquele dia chuvoso sem nada para
fazer. Entretanto, se o espectador quiser algo mais denso e profundo, o filme
não serve como opção. Poderíamos considerá-lo como uma versão pipoca do filme ‘O
Franco-Atirador’(1978), lançado poucos meses após o longa de Hal Ashby. Apesar
dos erros latentes presentes no filme, a direção esforçada de um bom nome da
indústria e as boas atuações de atores consagrados o tornam aceitável.
Nota CI: 6,3 Nota IMDB: 7,3
Filmografia:
AMARGO
Regresso. Direção: Hal Ashby.
1978. 127 min. Título Original: Coming Home.
FRANCO-Atirador.
Direção: Michael Cimino. 1978. 182 min. Título Original: The
Deer Hunter.