O diretor iniciante Michael Berry nos traz aqui um drama
sobre os efeitos de uma intolerância racial impregnada em uma sociedade
norte-americana conservadora, que acaba por destruir vidas de formas banais.
Contando com bons atores encabeçando o elenco, ‘Fronteira’, entretanto, falha
em construir um drama inteligente e emocionante, fugindo para soluções de
conflitos forçadas e inverossímeis.

O drama se passa em determinado local dos Estados Unidos,
no qual, por estar demasiadamente próximo da fronteira com o México, seus residentes têm
que lidar constantemente com a desconfiança e insegurança de se viver ali. A
história traça seus caminhos quando a esposa de um xerife aposentado é morta no
que, aparentemente, teria sido uma tentativa de roubo por parte de imigrantes
ilegais mexicanos.

O filme consegue alavancar discussões interessantes sobre o
papel perturbador que determinadas políticas governamentais provocam em sua
sociedade, emanando um padrão xenófobo latente e exacerbadamente perigoso.
Temos aqui conflitos inócuos surgidos simplesmente por um ódio intrínseco nos
residentes daquele local. O longa ainda questiona as motivações daqueles que
optam por encarar o deserto e tentar adentrar a esse país conservador, com a
promessa de uma vida melhor. Muitos daqueles mexicanos que logram sucesso em
sua tentativa de alcançar os Estados Unidos, acabam recorrendo à criminalidade
para tentar sobreviver àquele ambiente inóspito.
Os problemas do filme começam a ficar em evidência após
poucos minutos de exibição. A direção, comandada por Michael Berry, encontra
dificuldades em definir um padrão de filmagem. Ora o diretor recorre a
determinado estilo de filmagem, com uma câmera mais documental, ora foge para
um estilo western de se fazer filme. Os enquadramentos não favorecem ambientes
ou atores, produzindo um longa-metragem esteticamente limitado.
A trilha sonora do filme é outro ponto que desagrada seu
espectador, dando um tom novelesco às ações dos personagens da trama. A edição
do filme peca em deixar determinadas cenas mais longas do que deveriam,
demorando muito para fazer o corte delas. Entretanto, o pior aspecto do filme
é, sem dúvidas, seu roteiro. Temos aqui resoluções extremamente apressadas de
conflitos, subnúcleos da trama que falham em conectar-se à trama principal,
além da fraca construção das motivações e personas de seus personagens.
O bom elenco, encabeçado por Ed Harris e Michael Peña, não
consegue, em virtude do material ruim que tem em mãos, dar substância aos seus
personagens. Ed Harris tem uma atuação limitada à frente do protagonista, não
conseguindo convencer o espectador que ali se encontra um homem rígido e
moralista que sofreu recentemente uma perda insuperável. Já Peña é o mais
palatável do elenco, entregando um personagem com uma inocência trágica e um
senso moralista semelhante ao do protagonista.
Apesar de contar com um enredo sociológico chamativo e
importante, o longa falha em construir um filme coerente. Perdido em suas
próprias escolhas, o filme peca em recorrer a decisões superficiais para
construir uma história interessante. O bom elenco é completamente desperdiçado
aqui com personagens pobres em suas mãos. ‘Fronteira’ acaba sendo um filme
fraco, que, embora tenha seus momentos positivos, não vale ser visto.

Nota CI: 5,5 Nota IMDB: 6,6

 Filmografia:
FRONTEIRA. Direção: Michael Berry.
2014. 103 min. Título Original: Frontera.