A missão de
adaptar determinado tema usado décadas antes para seu período atual é sempre
complicada. Por vezes, não teremos o mesmo atrativo de outrora, o público acaba
gostando de coisas diferentes e, o mais importante, o filme tem que se adaptar
aos avanços tecnológicos da época corrente, fato que pode fazer com que
uma obra perca todo o sentido. Porém, fica claro que a decisão de fazer um
remake de um clássico da década de 1980, neste caso, foi meramente comercial. Os
produtores pensaram em aproveitar o ressurgimento dos filmes sobre vampiros e
resolveram conceber a ideia de trazer de volta um ícone do gênero, lançando ‘A
Hora do Espanto’(2011).
Na trama, adentraremos à vida de Charley Brewster, um adolescente comum que vive com o dilema
de conciliar os novos amigos e sua namorada ao seu passado, quando foi amigo do
estranho Ed. A história rapidamente ganha novos rumos quando Ed fica convencido
de que o novo vizinho de Charley esconde segredos nada normais, coagindo seu
amigo a investigar o sumiço de um residente da pequena cidade. A investigação
não resulta em nada. Então, quando Ed acaba sumindo, Charley fica finalmente
convencido de que há alguma coisa estranha na cidade, dando início a proposta
principal do filme.
O filme não
demora a deixar bem claro ao espectador qual é a sua proposta. Não teremos uma visão mais acurada da personalidade de cada personagem inserido no filme,
mas, sim, um foco na ação e terror emanados de cada cena. Todas as
apresentações dos personagens ocorrem de maneira acelerada, não entendemos bem
quais são suas motivações e o porquê de determinadas atitudes.
Os erros do
filme ficam mais graves a cada cena. Não sabemos bem se estamos, de fato, assistindo a um filme de terror, já que são as cenas de ação que acabam ficando
em maior destaque. Os diálogos contidos aqui são extremamente simplórios,
jamais destacando mais do que o óbvio. Isso levando em conta a enormidade de
buracos que a trama apresenta. A partir de determinado ponto do filme, o que já
não fazia muito sentido na história fica completamente solto na trama, com
personagens aparecendo do nada e soluções patéticas para os conflitos.
A direção de Craig Gillespie é horrorosa. Gillespie recorre sempre aos populares “jump scares” para
tentar assustar seu espectador, porém, nem assim obtém êxito. Não teremos, durante
os 106 minutos de filme, nenhuma construção bem feita de terror ou suspense. Os
sustos que o diretor tenta causar são todos previsíveis. E a utilização dos
efeitos especiais pobres tira todo o resto de algo produtivo que o filme possa
trazer.
O péssimo trabalho
de Gillespie se estende para o campo da direção de seus atores. Todos aqui
estão péssimos em seus respectivos papéis. Temos um time de atores
competentes, como Anton Yelchin, Toni Collette e Imogen Poots, em trabalhos muito ruins, com interpretações artificiais. O filme
ainda se propôs a trazer um grande nome para encarnar o papel do vilão do
filme. Porém, a participação de Colin Farrell talvez seja a pior de todo o elenco. O ótimo ator fica limitado a um material ruim do roteiro e acaba tendo cenas
completamente robóticas.
‘A Hora do
Espanto’ é mais um dos péssimos filmes sobre vampiros surgidos neste século. Um
filme preguiçoso em todos os sentidos. Um desperdício de bons atores e de
orçamento. Além de ser um grande desserviço ao clássico original dos anos 1980
Nota CI: 3,6 Nota IMDB: 6,4
Filmografia:
HORA do
Espanto, A. Direção: Craig Gillespie. 2011. 106 min. Título Original: Fright Night.
HORA do Espanto, A. Direção: Tom Holland. 1985. 106 min. Título Original: Fright Night.