Um drama
complexo sobre o processo de luto incompleto de uma família. O diretor Joachim
Trier, em seu terceiro longa-metragem, leva ao espectador o quanto aspectos mal
resolvidos sobre determinado fato podem marcar a vida de todos os envolvidos.
‘Mais Forte Que Bombas’ não é invulnerável a erros, mas sua bela direção e seu
elenco de qualidade fazem com que o filme consiga passar sua mensagem.
A trama do
filme gira em torno da tentativa de um pai em reestruturar sua família após a
morte de sua esposa. Seus dois filhos aparentam não ter superado o infeliz
incidente, tendo suas vidas moldadas a partir da mal formação desse processo de
luto, que já dura mais de 2 anos. Os conflitos começam a vir à
tona quando um determinado artigo sobre sua esposa é escrito por um amigo dela,
revelando as verdadeiras causas da morte da mulher, que na realidade havia
cometido suicídio. O filho mais novo não sabe sobre o tema, achando que sua
morte havia sido apenas um trágico acidente de carro, o que leva a desencadear
fortes conflitos psicológicos em seu pai.
Tudo aqui é
apresentado com extrema sensibilidade pelo diretor. Temas pesados são
descaracterizados por uma edição poética e uma fotografia contemplativa. A
trilha sonora é outro fator de alívio para o peso do enredo, ajudando o
espectador a digerir as informações passadas.
O elenco é de
extrema qualidade, além de ser muito bem dirigido. Temos Gabriel Byrne no
papel do pai, envolto em uma situação inexorável, nutrindo uma culpa mal
atribuída a ele; Isabelle Huppert interpreta a falecida mãe, oferecendo ao espectador, por meio de
recordações dos personagens, as características de sua personalidade e
o que a motivou a fazer aquilo; Jesse Eisenberg está no papel do filho mais
velho, aparentando ter superado o ocorrido, em detrimento do sucesso familiar e
profissional, porém, na verdade, vemos um indivíduo vulnerável, tentando segurar-se
na investigação do trabalho da mãe e; Devin Druid no papel central do filme, fazendo
o filho mais novo. Aqui, seu personagem demonstra ser o mais afetado pela morte
da mãe, descontando em si mesmo e em seu pai este sofrimento.
‘Mais Forte
Que Bombas’ é um bom filme. A sensibilidade poética em tratar de um assunto
complicado é o ponto alto do filme. Contando com um elenco de peso, o diretor
Joachim Trier consegue fazer com que cada elemento atue no seu melhor. Diferente, por exemplo, de ‘Reencontrando
a Felicidade’(2010), que também conta com uma temática parecida, aqui temos um
filme que, apesar do seu contorno poético, não deixa que a trama se torne
melosa, dando um tom real ao pesar que aquela família vive.
Nota CI: 6,8 Nota IMDB: 6,6
Filmografia:
MAIS Forte
Que Bombas. Direção: Joachim Trier. 2015. 109 min. Título Original: Louder Than Bombs.
REENCONTRANDO
a Felicidade. Direção: John Cameron Mitchell. 2010. 91 min. Título Original: Rabbit Hole.