Um retrato cruel e violento do interior de uma organização
criminosa no Japão. Pouco importa se o retrato é verossímil ou não. Aqui o
que pesa são os conflitos surgidos por razões irrelevantes para alguns. Takeshi
Kitano nos traz uma obra sensível e com o uso de uma violência exacerbada.
O filme conta o surgimento de um conflito entre determinadas
correntes dentro da máfia japonesa. Somos coroados com conflitos sangrentos
surgidos em virtude de uma conta cobrada para a pessoa errada. A trama se
desenvolve a partir das consequências de ações instintuais.
A direção é ótima, não poupando o espectador de cenas de
violência que incomodam. Kitano em toda sua filmografia utilizou o silêncio
como o principal expoente de seus filmes, e aqui não é diferente. A cada cena o
principal ator no filme é o silêncio. É brilhante a forma como Kitano passa ao
espectador monólogos inteiros de determinados personagens somente com a
completa ausência de falas.

O roteiro é complexo em sua própria simplicidade,
às vezes, confundindo um pouco a compreensão de determinados fatos. A fotografia
é outro fator positivo do filme, evidenciando em várias cenas o uso da natureza
para finalizar a mensagem.

Durante os 109 minutos do longa, somos expostos a um jogo de
gato e rato entre os personagens. O uso excessivo da violência, habitual no
cinema asiático, se encaixa perfeitamente no filme. Aqui, tudo o exposto é
necessário. Ótimo trabalho de Kitano (direção, roteiro, edição e protagonista),
nos inserindo dentro desta atraente história.

Nota CI: 6,8 Nota IMDB: 6,8 

Filmografia:
OUTRAGE. Direção: Takeshi Kitano. 2010. 109 min. Título
Original: Autoreiji.