O tão explorado gênero do horror viria a receber, em 1985, uma grande obra que, por meio da reutilização de elementos clássicos, daria um novo fôlego aos filmes de vampiro da época. ‘A Hora do Espanto, produzido por Herb Jaffe e dirigido e roteirizado por Tom Holland, se tornou um clássico instantâneo. E, em 2011, receberia um remake que prometia atualizar os pontos de sucesso do original para a época corrente. Analisaremos, por intermédio da crítica de cada filme, se este trabalho foi bem feito.

Original: ‘A Hora do
Espanto’(1985)

O diretor Tom
Holland traz ao espectador um filme de terror diferente dos que permeavam a
década de 1980. Buscando inspiração em Hitchcock, utilizando o aspecto voyeur
presente em ‘Janela Indiscreta’(1954), e nos filmes do gênero da década de
1930, Holland entrega ao seu espectador um belo filme, sem, entretanto, perder
a aura trash presente na melhor década do terror nos cinemas.
O filme conta
a história de Charley Brewster,
um adolescente um tanto quanto paranoico, que adora assistir ao programa de Peter Vincent
na televisão, um famoso pseudo caçador de vampiros. Em uma bela noite, tentando
avançar sexualmente com sua nada menos estranha namorada Amy, Charley avista a
chegada de seus novos vizinhos, o charmoso Jerry Dandrige
e seu fiel companheiro Billy Cole,
carregando o que aparentava ser um caixão. A partir deste momento, qualquer
impulso sexual presente no adolescente desaparece, sua única preocupação agora
é investigar sobre os residentes da casa ao lado. Concomitante a chegada dos
vizinhos, uma série de assassinatos começam a acontecer na cidade. A trama
então se concentra na dissolução desta investigação e nas implicações que a
situação ocasiona no relacionamento de Charley com sua namorada e seus amigos.
 A direção
trata logo de deixar claro que ali se encontra um filme de vampiros. A
descrença em cima do adolescente é conservada apenas pelos personagens do filme
que o cercam. Holland faz com que o espectador veja o filme pelos olhos do
adolescente, enxergando exatamente o que ele vê, jamais tomando Charley como um
maluco influenciado pelos programas que assiste.
Aliás, o
trabalho que o diretor, também responsável pelo roteiro, exerce aqui é o que
torna ‘A Hora do Espanto’ um clássico do gênero. Tom Holland, que
posteriormente iria dirigir o icônico ‘Brinquedo Assassino’(1988), não peca
pela falta de ousadia. Aqui o diretor entrega ao espectador uma série de
tomadas em ângulos diferentes, aproveitando o máximo que o ambiente tem a propiciar.
O orçamento limitado passa longe de ser um empecilho para Holland, sabendo
exatamente emanar um suspense das situações mais simples, como o convite que a
mãe de Charley faz a Jerry Dandrige.
A parte gore do filme serve apenas para pontuar alguns pontos da trama, sem,
entretanto, se fazer a parte mais relevante.

A decisão de
homenagear os clássicos filmes de monstros dos anos 1930, talvez seja o aspecto
mais legal do longa. A construção do vampiro em si e as formas de destruí-lo
repetem o estigma padrão proposto por filmes como ‘Drácula’(1931). O personagem
de Peter Vincent, assim como seu programa de televisão, são oriundos todos de
um tempo que já na década de 1980 não existia mais, despertando um sentimento
nostálgico no espectador.
O elenco do
filme, como um todo, é bem limitado. Temos Amanda Bearse e Stephen Geoffreys interpretando a namorada e amigo de
Charley, onde ambos têm performances bem limitadas, não oferecendo nada de bom
ao filme, muito pelo contrário, atrapalhando até o andamento de algumas cenas.
Na posição de protagonista, contamos William Ragsdale. Ragsdale não destoa de sua dupla de amigos em limitação, mas pelo
menos sua presença aqui não acarreta em maiores problemas para o longa. No
papel do irreverente Peter Vincent, temos o experiente Roddy McDowall. Aqui o ator tem uma atuação segura e engraçada, servindo como o
verdadeiro alívio cômico do filme. Porém, o grande destaque do filme vai para a
interpretação de Chris Sarandon no papel de Jerry Dandrige. O ator consegue trazer ao filme um
personagem que parece ser realmente temido pelo grupo de adolescentes, passando
com um simples olhar implicações que o resto do elenco não conseguiria fazer em
cinco minutos de diálogos.

‘A Hora do
Espanto’ é um filme que se encontra devidamente registrado no inconsciente
coletivo de todos aqueles que têm mais de seus vinte e poucos anos de idade
devido às repetições incessantes de redes de TV em suas mais diversas sessões
da grade. A junção de uma direção séria e querendo mostrar trabalho ao inerente
trash presente nos filmes do gênero da década é a combinação perfeita para
trazer ao espectador um filme inesquecível.
Remake: ‘A Hora do
Espanto’(2011)

A missão de
adaptar determinado tema usado décadas antes para seu período atual é sempre
complicada. Por vezes, não teremos o mesmo atrativo de outrora, o público acaba
gostando de coisas diferentes e, o mais importante, o filme tem que se adaptar
aos avanços tecnológicos da época corrente, fato este que pode fazer com que
uma obra perca todo o sentido. Porém, fica claro que a decisão de fazer um
remake de um clássico da década de 1980 neste caso foi meramente comercial. Os
produtores pensaram em aproveitar o ressurgimento dos filmes sobre vampiros e
resolveram conceber a ideia de trazer de volta um ícone do gênero, lançando ‘A
Hora do Espanto’(2011).
Adentraremos
na trama a vida de Charley Brewster, um adolescente comum que vive com o dilema
de conciliar os novos amigos e sua namorada ao seu passado, quando foi amigo do
estranho Ed. A história rapidamente ganha novos rumos quando Ed fica convencido
de que o novo vizinho de Charley esconde segredos nada normais, coagindo seu
amigo a investigar o sumiço de um residente da pequena cidade. A investigação
não resulta em nada. Então, quando Ed acaba sumindo, Charley fica finalmente
convencido de que há alguma coisa estranha na cidade, dando início a proposta
principal do filme.

O filme não
demora a deixar bem claro ao espectador qual é a sua proposta. Não teremos aqui
uma visão mais acurada da personalidade de cada personagem inserido no filme,
mas, sim, um foco na ação e terror emanados de cada cena. Todas as
apresentações dos personagens ocorrem de maneira acelerada, não entendemos bem
quais são suas motivações e o porquê de determinadas atitudes.
Os erros do
filme ficam mais graves a cada cena. Não sabemos bem se estamos de fato
assistindo a um filme de terror, já que são as cenas de ação que acabam ficando
em maior destaque. Os diálogos contidos aqui são extremamente simplórios,
jamais destacando mais do que o óbvio. Isto levando em conta a enormidade de
buracos que a trama apresenta. A partir de determinado ponto do filme, o que já
não fazia muito sentido na história fica completamente solto na trama, com
personagens aparecendo do nada e soluções patéticas para os conflitos.

A direção de Craig Gillespie é horrorosa. Gillespie recorre sempre aos populares “jump scares” para
tentar assustar seu espectador, porém, nem assim obtêm êxito. Não teremos durante
os 106 minutos de filme nenhuma construção bem feita de terror ou suspense. Os
sustos que o diretor tenta causar são todos previsíveis. E a utilização dos
efeitos especiais pobres tira todo o resto de algo produtivo que o filme possa
trazer.

O péssimo trabalho
de Gillespie se estende para o campo da direção de seus atores. Todos aqui
estão péssimos em seus respectivos papéis. Temos aqui um time de atores
competentes, como Anton Yelchin, Toni Collette e Imogen Poots, em trabalhos muito ruins, com interpretações artificiais. O filme
ainda se propôs a trazer um grande nome para encarnar o papel do vilão do
filme. Porém, a participação de Colin Farrell talvez seja a pior do filme. Aqui
o ótimo ator fica limitado a um material ruim do roteiro e acaba tendo cenas
completamente robóticas.
‘A Hora do
Espanto’ é mais um dos péssimos filmes sobre vampiros surgidos neste século. Um
filme preguiçoso em todos os sentidos. Um desperdício de bons atores e de
orçamento. Além de ser um grande desserviço ao clássico original dos anos 1980.

O QUE FALTA DIZER?
Infelizmente não tivemos um remake que conseguisse honrar o filme da década de 1980. Todos os pontos cruciais para o sucesso do original foram suprimidos no filme de 2011. Porém, não diminuindo em nada a atmosfera criada em torno do primeiro filme, servindo, inclusive, como motivação para vários outros filmes nas décadas seguintes. Assista o original e passe longe de seu remake picareta.
CURIOSIDADES:

Stephen Geoffreys, ator que interpreta Evil Ed no original de 1985 e estrelou ‘A Primeira Transa de Um Nerd'(1985), após seu fracasso como ator, no início dos anos 1990, resolveu se aventurar pelo mundo do entretenimento adulto gay.

Amanda Bearse, que vive a namorada de Charley no filme original, viria, poucos anos depois, se consagrar atuando em
‘Married with Children'(1987-1997), uma das séries de maior sucesso da época.
Chris Sarandon, ator que interpretou o vampiro Jerry Dandride no filme original, chegou a fazer uma ponta rápida no remake de 2011, sendo exterminado em poucos segundos de tela pelo personagem de Colin Farrell.