Aproveitando-se
de sucessos recentes do gênero, ‘O Lamento’ trabalha por causar a maior
quantidade de sustos possíveis em seu espectador. Nutrindo uma atmosfera
envolvente e uma história concisa, o cineasta Hong-jin Na, em seu terceiro longa-metragem da carreira, consegue fugir dos
sucessos recentes de seu país e fazer algo diferente. Apesar de todos os
elogios, o filme acaba perdendo sua essência no decorrer da trama, se fazendo
demasiadamente longo.
O filme vai
contar a história de Jong-Goo, um policial atrapalhado, que acaba por se
envolver demais em uma investigação de estranhas mortes ocorridas no vilarejo
em que reside. Um verdadeiro pandemônio se instala no lugar, fugindo
completamente ao controle das autoridades e logo uma explicação surreal começa
a rondar os habitantes do lugar. As misteriosas mortes são ligadas a um japonês
que recentemente havia se mudado para o lugar. A trama ganha substância quando
a família de Jong-Goo é acometida da aura maléfica que circunda o lugar e o
policial passa a ter que correr contra o tempo para desvendar o mistério.
O ritmo da
trama começa muito bom. Não demora para sermos apresentados ao principal
caminho pelo qual o filme caminhará. Os primeiros sustos acabam surgindo
rapidamente, logo após o início das investigações. O filme ainda utiliza muito
bem a figura do humor intrínseco ao personagem principal, sabendo conciliar
muito bem isso com o terror do filme. O trabalho de clima também ajuda a evocar
sustos no espectador sem precisar recorrer aos tradicionais “jump scares”.

No entanto, a
segunda metade do filme acaba se perdendo completamente da história central. Os
arcos passam a ficar arrastados demais, as cenas de sustos se tornam muito
recorrentes e acabam perdendo o impacto e o clima passa a ficar muito pesado na
história dos personagens, onde o humor dos melhores momentos não é mais
utilizado. Fica a clara sensação de que 156 minutos para a história contida no
filme é muito. O filme ganharia muito mais condensando histórias e diálogos
soltos da segunda parte monótona, fazendo um filme muito mais curto e ágil.
O roteiro,
também escrito pelo diretor, é regular, analisando a história inteira. Talvez o
fato de querer dar mais substância a história do que esta precisava tenha feito
a trama perder o ritmo. Porém, a maneira de como os personagens são construídos
acaba fazendo com que nós tenhamos um maior carinho por seus desfechos.

Já sua
direção se notabiliza por pegar elementos de ‘A Bruxa’(2015) e ‘Invocação do
Mal’(2013) para criar uma atmosfera densa. Hong-jin Na escolhe por dar um tom sujo ao filme, com o auxílio da fotografia de Kyung-pyo Hong,
conseguindo causar uma sensação de um lugar em decomposição, lembrando muito o
trabalho de clima criado em ‘As Bruxas de Salém’(1996). Acompanhando a queda do
filme no segundo ato, Hong-jin erra em algumas cenas, como a maioria com o aparecimento
do xamã, tornando-as insossas e, até mesmo, desagradáveis de se assistir.

O elenco,
encabeçado por Do-won Kwak, está muito bem no filme. Todos seus componentes acabam por ter atuações
convincentes em seus personagens. Não temos o destaque de um indivíduo aqui,
todos estão rigorosamente iguais no filme. E é exatamente o bom trabalho feito
pelo time de atores que ajuda a criar um laço entre estes e o público.
Apesar de
seus percalços, ‘O Lamento’ sem dúvida é uma obra que vale a pena ser vista. O
modo de contar a sua história, conciliando um humor sagaz ao terror, é o grande
diferencial do filme. Uma história cheia de nuances que, sem dúvida, te
propiciará vários sustos.
Nota CI: 6,6 Nota IMDB: 7,5
Filmografia:
LAMENTO, O.
Direção: Hong-jin Na. 2016. 156 min. Título Original: Goksung.
BRUXA, A.
Direção: Robert Eggers. 2015. 92 min. Título Original: The
VVitch: A New-England Folktale.
INVOCAÇÃO do
Mal. Direção: James Wan. 2013. 112 min. Título Original: The Conjuring.
BRUXAS de
Salém, As. Direção: Nicholas Hytner. 1996. 124 min. Título Original: The Crucible.