Dirigido por Martin Ritt, ‘Testa de Ferro Por Acaso’ é um dos raros filmes que tem Woody Allen
como protagonista sem que este esteja no comando da direção do filme. Um filme
que tem como difícil missão a de levar ao público uma comédia com toques
dramáticos sobre a época negra de Hollywood, quando falsos simpatizantes do
Comunismo eram colocados na lista negra da indústria.
A história
trazida ao público é a de Howard Prince,
no começo da década de 1950, um homem que ganha a vida como caixa de um bar e
fazendo apostas para determinados indivíduos. A trama ganha força quando seu
amigo, Phil Sussman, um famoso roteirista de Hollywood, o procura querendo
ajuda. Inserido há pouco tempo na lista negra de Hollywood, Sussman pede para
Prince que este comece a assinar seus roteiros, como se eles fossem escritos
pelo próprio Prince, em troca de uma pequena porcentagem da comissão de venda.
Prince aceita a missão e logo se dá conta que aquilo era muito mais prazeroso e
rentável do que aparentava a priori.

O ritmo de
comédia do filme é bem limitado. A comédia presente no filme é sutil, para
apreendê-la o espectador deve compreender a construção de cada personagem.
Talvez encontre-se neste ponto o grande equívoco do filme. Não temos no filme
piadas ou situações de fácil acesso, mesmo compreendendo as situações cômicas
que determinado personagem está inserido, é difícil tirar prazer daquilo.
Seu gênero é
alterado no meio do longa. Logo passamos de uma comédia sutil para um drama com
leves toques de humor. A parte dramática do filme é bem construída, explorando
as implicações que as limitações da lista negra geravam naqueles ali inseridos.
O roteiro de Walter Bernstein tem suas partes positivas, mas a incapacidade de determinar um gênero
em específico acaba atrapalhando sua essência. O fato também de ter Woody Allen
em um filme e não vê-lo no comando do roteiro também influencia no olhar do
espectador.

O elenco é
regular, onde o destaque é mesmo a presença de Woody Allen no papel de
protagonista. Allen propicia ao público uma atuação bem diferente daquelas que
estamos acostumados a ver em seus filmes. Aqui o ator vive um homem muito mais
seguro de si, encarando as situações a que lhe são impostas com muita
desenvoltura, jamais colocando sua paranoia e insegurança habituais nas falas.
Apesar de
conter os erros explicitados acima, o filme está longe de ser ruim. A
oportunidade de ver mais sobre um tema tão difícil quanto a época negra em
Hollywood é válida, conseguindo atenuar os itens mais difíceis de colocar-se em
um filme. A segunda parte do longa evoca o bom ‘Culpado Por Suspeita’(1991),
conseguindo dar substância aos personagens ali inseridos. ‘Testa de Ferro Por
Acaso’ também é uma oportunidade de ver Woody Allen em algo diferente do que
estamos acostumados.
Nota CI: 6,3 Nota IMDB: 7,4
Filmografia:
TESTA de
Ferro Por Acaso. Direção: Martin Ritt. 1976. 95 min. Título Original: The
Front.
CULPADO Por
Suspeita. Direção: Irwin Winkler. 1991. 105 min. Título Original: Guilty by Suspicion.