Tratando de
aspectos relevantes para os seres humanos, como morte e abandono, ‘Uma Vida
Comum’ denuncia a crueldade silenciosa da vida. Tentando ser mais complexo e
visceral do que realmente se apresenta, o filme acaba perdendo-se quando acaba
apelando para uma visão teológica de mundo.
O filme conta
a história de um homem envolto em uma vida de solidão inexorável, que trabalha
em um cargo responsável por procurar familiares de pessoas que morrem sem
pessoas que se importem. A trama se desenvolve no momento que este homem é
demitido de seu trabalho, onde estivera por mais de 20 anos, e resolve dar uma
atenção especial para seu último serviço.
O
protagonista, vivido de forma competente por Eddie Marsan, demonstra aqui uma preocupação demasiada com o abandono inevitável dos
mortos. Seu trabalho acaba sendo parte única de sua vida, não havendo nada além
daquilo. O esquecimento dos recentemente mortos parece ser sua maior dor. A
busca por familiares e, na maioria das vezes, a ineficácia da procura, acaba
sendo um retrato de sua própria realidade.

Uberto Pasolini é responsável pela direção e roteiro
do longa-metragem. Aqui ele tenta dar ao filme uma complexidade inexistente.
Seu roteiro acaba sendo raso, não se aprofundando no drama pessoal de seu
protagonista. Aos poucos o diretor vai perdendo o controle do filme, culminando
em um final de filme que apenas evidencia a superficialidade do roteiro.
‘Uma Vida
Comum’ tem seus momentos positivos. Seus retratos sensíveis acabam dando o tom
necessário ao filme. Entretanto, seu roteiro óbvio e seu final niilista acabam
conotando ao longa uma substância de autoajuda que subestima seu espectador.
Nota CI: 6,6 Nota IMDB: 7,4
Filmografia:
VIDA Comum,
Uma. Direção: Uberto Pasolini. 2013. 92 min. Título Original: Still
Life.