Nutrindo uma
história monótona demais para compor um filme de 128 minutos, ‘Assédio Sexual’
acaba sendo mais um exemplo de como um bom diretor pode fazer um trabalho de
qualidade mesmo com um roteiro extremamente limitado em mãos. Barry Levinson estava muito inspirado na realização deste filme, tentando ao máximo
tirar o melhor possível da história para tentar entregar a seu público um
suspense de qualidade. Junte isso a um elenco bom e uma trilha sonora
envolvente e você quase terá um filme que valha a pena. Sim, quase.
O filme nos
levará até a vida de Tom Senders, um homem competente e bem-sucedido no seu
emprego que, de repente, se vê envolto em um jogo de gato e rato com os
mandatários de sua empresa, após ser acusado de ter assediado sexualmente sua
chefe, com quem já teve um caso outrora. A história vai se desenvolver na luta
de Senders para não perder seu emprego e salvar o relacionamento com sua
esposa.
A trama do
filme começa interessante, dando a impressão ao espectador de que entraremos em
um jogo letal do protagonista com a “femme fatale” que se caracteriza sua
chefe, ao estilo de ‘Instinto Selvagem’(1992). No entanto, a história acaba se
revelando muito mais insossa do que aparentava. O filme não tem exacerbações em
seu enredo, todos os conflitos contidos no roteiro, baseado no romance de Michael Crichton, são ausentes de tensão. O protagonista em nenhum momento vê sua vida em
risco pelo que está sendo acusado. Toda a tentativa de suspense emanado do
filme se concentra em diálogos vazios de uma seção judicial entre Senders e a
chefe.

A reta final
do filme é completamente ausente de sentido. A trama, que até então era lenta,
agora se tornaria completamente alheia. O filme tenta introduzir elementos
tecnológicos para criar uma tensão em quem o assiste, porém a construção das
cenas, no quesito do roteiro mesmo, é tão pobre que acaba apenas servindo como
uma espécie de alívio cômico para o longa.
O ponto alto
do filme é a direção de Barry Levinson. O diretor dá o máximo para expelir de
cada cena alguma substância que venha a dar sentido ao filme. Toda a construção
de cenário e os enquadramentos utilizados por Levinson trabalham para criar um
ar paranoico em seu espectador. Em vários momentos do filme o diretor escolhe
por evidenciar determinado objeto ou gesto de determinadas pessoas para criar
uma atmosfera de desconfiança no seu público. Outra coisa que chama a atenção é
a composição precisa da trilha sonora de Ennio Morricone,
conseguindo se inserir perfeitamente nas cenas de maior mistério presentes no
filme.
O elenco
também ajuda a tornar o filme mais palatável, contendo nomes como Donald Sutherland, Caroline Goodall e Dylan Baker. Todos executando seus personagens com extrema destreza. E ainda
contamos com uma dupla de protagonistas onde seus nomes falam por si. Michael Douglas e Demi Moore estão incríveis em seus personagens, sempre conseguindo
dar mais relevância à história do que o roteiro entregava.
‘Assédio
Sexual’ está longe de ser um suspense que faça seu público se ajeitar na
poltrona, contendo um tema de difícil acesso e um roteiro fraco. Porém, a
grande devoção de seu diretor e seu elenco em alavancar o filme trouxe certo
charme à obra. Um suspense mais alocado para o gênero drama, que se tivesse 30
minutos a menos se faria um entretenimento de fácil acesso.
Nota CI: 6,2 Nota IMDB: 6,0
Filmografia:
ASSÉDIO
Sexual. Direção: Barry Levinson. 1994. 128 min. Título Original: Disclosure.
INSTINTO
Selvagem. Direção: Paul Verhoeven. 1992. 127 min. Título Original: Basic Instinct.