Após mais de
dez anos sem trazer ao público filmes que exponham um universo paralelo
deturpado, David Cronenberg entrega aqui uma obra que explora uma sociedade
futurística regida por diversos hábitos fora do comum. A história confusa e sem
sentido, os enquadramentos estranhos ao espectador e a presença de um
protagonista insosso acabam por resulta no completo fracasso deste filme.
‘Cosmópolis’ entrega um emaranhado de diálogos e situações desconexas ao seu
público e, durante os 109 minutos de sua duração, jamais justifica sua
existência. Um filme que jamais deveria ter sido feito.
A história do
filme, baseada no romance de Don DeLillo,
vai girar em torno de um jovem que aparenta ser bastante poderoso em seu meio
social e sua saga para realizar pequenos feitos em um dia, como cortar o
cabelo, por exemplo. Sua empreitada é sempre combatida pelo meio com tentativas
jamais explicadas de assassinato e conversas paralelas completamente inócuas.
O começo do
filme é confuso. Nada naquele estranho mundo é explicado minimamente. Os
personagens agem e são mudados pelo ambiente sem que o espectador entenda algo
do que está acontecendo. Isso é até natural no cinema do Cronenberg, teremos
diversos exemplos em sua filmografia de obras que começam completamente
confusos, como ‘ExistenZ’(1999) e ‘Mistérios e Paixões’(1991), mas que acabam
por orientar o espectador em algum momento de sua trama. E essa é nossa
expectativa inicial sobre este filme aqui. No entanto, sentido é algo que passa
longe de ‘Cosmópolis’.

Conforme o
filme avança, as situações começam a ficar cada vez mais confusas. Aquele mundo
futurista não traz nada de comum ao espectador. Os diálogos vão ficando
completamente surreais, chegando ao ponto de uma simples conversa em uma
barbearia se torne um espetáculo de frases exacerbadas ausentes de sentido.
A história,
mesmo não trazendo nenhum resquício de familiaridade ao público, parece não
avançar. A sensação é a de estar assistindo a um mesmo diálogo com a única
mudança de atores e cenários durante todo o filme. Isso acaba fazendo com que o
espectador perca o interesse pelos desmembramentos da obra.
A direção
segue toda a ineficácia do resto do filme. Cronenberg tenta fazer algo
diferente do que estava acostumado, prezando sempre por enquadramentos
incomuns, procurando mostrar a estranheza que tange aqueles personagens e
aquela sociedade. Porém, isso acaba apenas limitando a campo de imersão do
espectador, causando certo desconforto em quem assiste. Outro problema aqui é a
mediocridade dos ambientes que permeiam o filme. Ficaremos limitados a certos
planos, como em um carro ou uma rua. A constituição daquele universo futurista
acaba ficando comprometida por causa disso.

O elenco
conta com diversas aparições de bons atores durante sua duração, como Paul Giamatti e Juliette Binoche. No entanto, o insucesso de seu
protagonista é o que acaba caracterizando o filme. Robert Pattinson está claramente mal escalado para o personagem. Seu personagem demanda
um ator mais intenso e que demonstraria uma maior carga de perigo ao ambiente
que o cerca. Pattinson é muito tranquilo para o personagem. Nas cenas mais
exacerbadas sua frieza acaba comprometendo seu impacto.
‘Cosmópolis’
é um dos piores filmes da carreira de David Cronenberg. Um filme que, de alguma
forma, tentou passar ao espectador noções sobre a banalização de sentimentos em
uma sociedade doente, mas que falhou na concepção de roteiro, direção e elenco.
Nada se salva aqui. E, como dito anteriormente, uma obra que jamais deveria ter
saído do papel.
Nota CI: 5,4 Nota IMDB: 5,0
Filmografia:
COSMÓPOLIS.
Direção: David Cronenberg. 2012. 109 min. Título Original: Cosmopolis.
EXISTENZ.
Direção: David Cronenberg. 1999. 97 min.
MISTÉRIOS e
Paixões. Direção: David Cronenberg. 1991. 115 min. Título Original: Naked
Lunch.