David
Cronenberg entrega aqui um filme fraco, sem brilho, que passa longe de chegar
perto da qualidade empreendida pelo diretor nas décadas posteriores. Tanto
direção quanto roteiro deixam a desejar com trabalhos abaixo do medíocre. Um
filme que, mesmo contendo algumas ideias boas, não consegue prender o
espectador em sua atmosfera. ‘Enraivecida na Fúria do Sexo’ ainda padece com
sua fotografia amadora e uma edição precipitada.
O filme vai
contar a história de uma mulher que, após se envolver em uma cirurgia
experimental, desenvolve uma estranha atração por sangue humano. Junto com essa
atração, surge uma espécie de doença que se prolifera à medida que a mulher
ataca as outras pessoas, dando início a um caos generalizado na cidade onde o
filme acontece.
Seguiremos um
padrão de ritmo único proposto por Cronenberg, onde acaba predominando o clima
soturno do filme. Os desnivelamentos iniciais da história acabam ocorrendo de
uma maneira muito rápida. Não conseguimos absorver o que realmente está
acontecendo antes do desenvolvimento da estranha patologia por parte da
protagonista. Os curtos minutos que separam o início do filme até a cirurgia
que muda a história não contam muita coisa. Alguns diálogos e cenas são jogados
ali sem nenhuma conexão com eventos do filme.

No momento em
que os eventos de fato começam a acontecer, o filme ganha um leve aumento de
qualidade na história. Aumentamos o nosso interesse pelo que está acontecendo
naquele ambiente e com aquelas pessoas. No entanto, esse aumento de interesse
se dissipa rapidamente após os acontecimentos se tornarem repetitivos e não
avançarem. Isso acontece até o final do filme. Essas repetições acabam se
tornando insossas e tirando completamente o interesse do espectador pelas cenas
que finalizam o filme.
A direção de
David Cronenberg é fraca, demonstrando um profissional ainda sem o grau de
experiência necessária para comandar um longa-metragem. As cenas centrais do
filme acontecem sem peso dramático e as situações de tensão emitidas ao
espectador são todas antecipadas, já sabemos o que irá acontecer segundos antes
de a cena avançar para seu desfecho. Outro fator que desempenha um papel
preponderante em não elencar tensão no espectador é a edição do filme. Comandada
por Jean LaFleur, a
edição é permeada de cortes que não deixam a cena se desenvolver por completo.
Já em outros momentos, veremos uma sucessão de cortes que servem como uma
espécie de “spoiler” para os desmembramentos do filme. Porém, o ponto que
sepulta qualquer chance de sucesso do filme é a cinematografia horrorosa de René Verzier,
que escolhe por enquadramentos típicos de produções de baixo orçamento para a
televisão, sem nenhum tipo de profundidade e uma utilização sem vida das
tonalidades presentes na obra.

O elenco do
filme está regular nos 91 minutos que compõem a obra. O roteiro fraco, os
enquadramentos ruins e a impossibilidade de ter um arco contínuo em tela retiram
qualquer chance de algum ator se destacar aqui. A posição de protagonista do
filme foi dada a Marilyn Chambers que baseia sua atuação em gritos e expressões de terror.
‘Enraivecida
na Fúria do Sexo’ é um filme de terror fraco que, infelizmente, não possui
quase nenhum dos elementos que David Cronenberg eternizou na sua filmografia
nos anos posteriores ao lançamento desta obra. Um filme curto que, no entanto,
acaba se fazendo insosso em diversos momentos. Dispensável, a obra acaba se tornando
importante apenas para analisarmos o processo de evolução do diretor.
Nota CI: 5,8 Nota IMDB: 6,4
Filmografia:
ENRAIVECIDA
na Fúria do Sexo. Direção: David Cronenberg. 1977. 91 min. Título Original:
Rabid.