Eis aqui um
filme que nunca deveria ter saído do papel. Ou melhor, jamais deveria ter sido
escrito. ‘Um Divã Para Dois’ dá uma aula de como não se fazer um roteiro. Temos
aqui diretor e um bom elenco desperdiçados em algo condenado à ruína desde o
início.
A história
contada aqui é a de um casal, com mais de trinta anos de casamento, que se vê
submerso em uma vida de rotinas inexoráveis. A esposa em questão, incomodada
com a situação, resolve procurar a ajuda de um terapeuta de casais que promete
a resolução dos problemas em suas campanhas de marketing, mesmo com os
protestos contrários do marido.

Tudo que se
segue então na história acaba sendo ridículo demais para se levar a sério.
Todos os conflitos expostos pelo roteiro parecem infundados. A introdução dos
personagens e o aprofundamento nos dramas de suas vidas simplesmente não
acontecem aqui. São jogadas duas ou três motivações e características da persona
dos dois e só. As pseudo sessões da terapia do casal são de uma prepotência
incrível. O terapeuta em questão parece estar acima do bem e do mal, sabendo
todos os nuances da vida do casal e propondo resoluções certeiras para o
melhoramento da relação. Seus métodos fantásticos incluem, inclusive, ações
ilícitas que o casal, super conservador, adere sem maiores protestos.
Em sua parte
final, o filme descamba para uma sucessão de clichês característicos de
comédias ruins. Toda a grande crise, ponto central do filme, se resolve com a
troca de uma ou duas palavras e, então, nossos queridos protagonistas se dão conta
que a cura para todos seus males estava resolvida. O nome responsável por este
roteiro ridículo é o de Vanessa Taylor, que tem em seu currículo como roteirista, em quase que exclusividade,
participações em séries de televisão. O maior erro de Taylor não é fazer um
roteiro horroroso, mas, sim, o de presumir a estupidez de seu espectador.

O diretor, David Frankel, faz um trabalho competente, tentando salvar o que é possível. Apesar
dos diálogos nas cenas de encontro com o terapeuta serem ruins, o jogo de cenas
proposto por Frankel, com uma edição dinâmica, consegue, ao menos, diminuir os
contras ali presentes. O bom elenco, com Meryl Streep e Tommy Lee Jones, não é o suficiente para criar
algo positivo. Apesar de boas atuações, a química entre os dois é ruim, não
tornando factível a ideia dos dois serem um casal. O longa ainda conta com
Steve Carell no papel do terapeuta onisciente. O talento do Carell aqui é
irrelevante para o personagem, que se resume a frases feitas e olhares
perdidos. Qualquer ator poderia ser encaixado no papel.
O erro da
equipe de produção do filme foi o de achar que um diretor competente e um bom
elenco poderiam esconder as fragilidades do roteiro. ‘Um Divã Para Dois’ é um
exemplo tenebroso do quão é importante a construção do roteiro para um filme. O
filme não convence do começo ao fim, não servindo nem como mero entretenimento
comum.
Nota CI: 5,0 Nota IMDB: 6,3
Filmografia:
Divã Para
Dois, Um. Direção: David Frankel. 2012. 100 min. Título Original: Hope Springs.