A proposta do
diretor Sydney Pollack é trazer ao público um “Western”
diferente do qual estamos acostumados. Utilizando de um herói falível, um tanto
quanto enrolado, o filme consegue humanizá-lo. ‘Mais Forte Que a Vingança’ tem
seus momentos produtivos, porém não é livre de erros. A falta de fôlego da
trama, junto com a má execução de determinadas cenas de ação acabam por
comprometer um pouco a qualidade do longa.
A trama do
filme vai girar em torno de Jeremiah Johnson, um homem acostumado com a vida de
andarilho, que, na busca da sobrevivência diária, acaba conhecendo um garoto,
que teve uma tragédia pessoal há pouco tempo, e ganha como recompensa de uma
tribo de índios uma espécie de esposa. A partir deste ponto o homem gera laços
de amizade com ambos, desejando agora terminar com sua vida anterior e se
acomodar em algum local tranquilo com os dois.
A aura do
filme é diferente da imensa maioria de filmes do gênero, transgredindo-o e
adentrando um pouco até no gênero de aventura. A simplicidade do filme, e
também seu maior ponto positivo, está em contar uma história comum. O ritmo do
filme é lento, toda a trama avança de modo comedido. Cada cena é explorada ao
máximo, investigando todos os seus nuances. A maior missão que o filme se
propõe em mostrar é o quão perigosa e incerta é a vida naquele lugar. A batalha
pela sobrevivência é travada diariamente, hora enfrentando os perigos da natureza
implacável, hora tendo pela frente grupos de índios sedentos por sangue.
A figura do
herói do filme é muito bem construída. Temos na figura de Johnson um homem
enrolado, falível, tranquilo e que ama aquele ambiente a qual está alocado.
Vemos nele um personagem engraçado, seu modo de agir é cômico. Aquele homem não
sabe e não pensa no que vai acontecer no dia de amanhã. Suas investidas estão
concentradas no hoje. Johnson vive cada momento como se este fosse o seu
último.

O ritmo
cadenciado do filme acaba se perdendo na segunda metade do filme. O longa acaba
se acelerando demais, perdendo um pouco de sua essência construída antes. A
ação, que até então era bem limitada, acaba se exacerbando e a inabilidade de
conduzir as sequências por parte do diretor tira um pouco do atrativo do filme.
Porém, a edição frenética, comandada por Thomas Stanford,
incluída nas cenas de mais movimentação, acaba amenizando um pouco o problema.
A direção de Sydney Pollack, com exceção das cenas de ação suscitadas acima, é muito competente. O
diretor consegue entreter o público com cenas onde o diálogo é tudo que há. A
imersão feita aos locais explorados pelo herói também é algo que chama a
atenção. Outro fator que vale ressaltar é a aparência dos personagens, sempre
sujos, utilizando figurinos velhos, retratando sempre o ambiente em decadência
em que o filme se passa. A trilha sonora também é boa, pontuando bem o modo
tranquilo e despreocupado de Johnson agir.

A
responsabilidade de encarnar o personagem de Jeremiah Johnson foi dada a Robert
Redford. Redford, assim como em toda sua carreira, está ótimo aqui, conseguindo
fugir um pouco daquele charme inerente à pessoa do ator, construindo um homem
certo para seu tempo, exalando uma confusão em suas falas.
‘Mais Forte
Que a Vingança’ é um filme regular, diferente em sua proposta. Seu ritmo lento
pode afugentar muitos espectadores acostumados com filmes mais dinâmicos.
Porém, a construção de um ambiente e atmosfera criada por Pollack por si só já
vale os 108 minutos passados em frente à tela.
Nota CI: 6,7 Nota IMDB: 7,6
Filmografia:
MAIS Forte
Que a Vingança. Direção: Sydney Pollack. 1972. 108 min. Título Original:
Jeremiah Johnson.