Vindo de bons
trabalhos nos anos anteriores, o diretor David Mackenzie tenta nos entregar aqui uma obra ágil sobre os desmembramentos sociais
que as atitudes de uma família podem gerar em seu meio. Utilizando-se sempre da
figura da trilha sonora e das cenas de ação para impregnar determinada ideia no
filme, Mackenzie subjuga partes da carga dramática presente no roteiro para nos
dar algo mais rústico. ‘A Qualquer Custo’ ainda vai contar com atuações seguras
dos três pilares do filme para dar veracidade à trama.
O filme vai
nos trazer a história de dois irmãos, Toby e Tanner, que, após problemas
financeiros, decidem iniciar uma série de assaltos a banco em uma cidade do
Texas. Conforme a dupla vai exacerbando suas ações, Marcus Hamilton,
o xerife local, um homem prestes a se aposentar, acaba ganhando bastante
interesse pelo caso. É a partir deste momento que se iniciará uma caça pelos
irmãos que perdurará até o final do filme.
Iniciaremos o
filme com uma abertura que servirá para delimitar as personalidades dos dois
irmãos, suas angústias e motivações para tais atos. Esse começo também servirá
para o diretor dar um pequeno esboço, com cenas extremamente ativas, com uma
câmera que segue a ação de forma obsessiva, e fugas em automóveis, do que
seríamos expostos em tomadas futuras.

 Essa inserção
no relacionamento dos irmãos vai se intensificando conforme o filme avança.
Veremos dois indivíduos muito diferentes, onde o sentimento de amor e a
história familiar é a única coisa que acaba por ligar os dois. Toby é um sujeito
comedido, com filhos e uma ex-esposa para sustentar, que utiliza do roubo para
angariar recursos para uma vida de qualidade para sua família. Tanner, ao
contrário, é um homem instintivo, regido por suas pulsões mais selvagens,
buscando unicamente os elementos para satisfazer determinadas vontades. Toby
assalta os bancos porque precisa, enquanto Tanner o faz porque ama essa vida.
Em
contraponto com os irmãos, temos a figura de Marcus Hamilton. Hamilton é uma
espécie de xerife da pequena cidade, se notabilizando sempre por sua
personalidade calma e comedida, utilizando sempre do sarcasmo para atuar sobre
o mundo, e, mais especificamente, sobre seu trabalho. O homem demora a ter a
noção, mesmo com a grande experiência, do que seu trabalho implica em sua vida
e na de seus parceiros. Essa noção só vai surgir no homem na reta final do
filme, quando é exposto a uma situação extrema.
Os tropeços
do filme acabam aparecendo justamente quando o diretor escolhe por não dar uma
maior atenção nessa formalização das personalidades completas dos personagens
para o espectador. O filme é muito frenético, as cenas de ação são repetitivas
e insossas, apesar de serem executadas com extrema cautela e empenho, e a
câmera de Mackenzie é afobada, não conseguindo tirar tudo de cada cena. A
edição do filme é incansável, seguindo o padrão de qualidade das cenas de ação,
se guiando por cortes velozes e que ajudam na absorção de cada tomada. O
problema é que isso se faz desnecessário para a proposta que o roteiro, escrito
por Taylor Sheridan, entrega.

A trilha
sonora, comandada por Nick Cave e Warren Ellis, é
bastante ativa durante o filme e essencial para o que o diretor trilhou para
cada cena. As músicas alternam entre o country e composições mais soturnas.
Essa variação servirá para fazer o espectador adentrar a toda aquela atmosfera
quente e intensa que o filme traz. Também servirá para nos colocar no interior
da personalidade e o momento psicológico dos irmãos.
Outro fator
positivo do filme é a boa fotografia de Giles Nuttgens.
Sempre teremos quadros que entregam o cenário como um todo, nos mostrando toda
a composição e importância que aquele lugar tem sobre o filme e sua proposta. Teremos
duas ou três cenas que explicitam bastante isso e nos fazem dar uma maior
atenção a esses detalhes.

O elenco,
formado por Jeff Bridges, Chris Pine
e Ben Foster, está muito longe de estar espetacular, mas, no entanto,
faz um bom trabalho. Bridges, como o xerife local, nos traz uma atuação
discreta, sempre seguindo uma fala arrastada e cansada, refletindo o momento de
seu personagem. Pine e Foster, como os irmãos Toby e Tanner, respectivamente,
escolhem por entregar atuações mais intensas, com expressões faciais carregadas
e discursos agressivos.
‘A Qualquer
Custo’ é um filme regular que acaba tropeçando na direção que foca mais na
parte de ação e negligencia todo o drama ali presente. No entanto, o roteiro de
Taylor Sheridan é tão robusto que, mesmo com toda a
infinidade de ação contida ali, ainda consegue retirar toda uma interpretação
das motivações que regem os personagens.
Nota CI: 6,8 Nota IMDB: 7,7
Filmografia:
QUALQUER
Custo, A. Direção: David Mackenzie. 2016. 102 min. Título Original: Hell or High Water.