Sempre
focando nos elementos modernos mais tradicionais do gênero, ‘Invasão Zumbi’ até
consegue flertar com momentos produtivos, mas sempre acaba caindo nos mesmos
clichês. A ideia de guiar o filme com uma atmosfera frenética até consegue
prender a atenção do espectador, onde a ação intermitente move todos os
personagens com um clima de paranoia, mas a constante recorrência a um
sentimentalismo incômodo e desproporcional derruba qualquer coisa positiva que
estava sendo criada.
A história do
filme se passa, quase que exclusivamente, em um trem de viagem que possui como
trajeto final a cidade de Busan. Tudo ocorre seguindo as normalidades dentro do
trem, até que estranhos ataques começam a acontecer e os indivíduos atacados
passam a demonstrar um estranho comportamento. A trama se concentrará na
tentativa de alguns tripulantes de sobreviverem à estranha epidemia que toma
conta do trem, sempre buscando mostrar os personagens centrais da obra, um pai
com sua filha pequena.
O filme se
baseará em um ritmo único. Desde o primeiro minuto fica claro para nós que tudo
vai ser mostrado de forma rápida, buscando em todos os momentos uma fuga para
situações onde a ação toma conta do filme. Fica até mesmo difícil alocar este
filme no gênero terror, já que ele se propõe unicamente em mostrar uma ação
demasiada do começo ao fim, não havendo espaço para uma construção mais acurada
de momentos tensos, que evocam determinadas sensações no espectador.

Essa
utilização da ação em todos os momentos não acaba sendo, necessariamente, algo
ruim do filme. Ele tem essa proposta bem clara e traz isso para nós de uma
maneira concisa. As cenas são feitas sem uma maior preocupação com sua parte estética,
onde a câmera segue os passos dos personagens e a agitação inserida no
ambiente, resultando em imagens tremidas e que, constantemente, deixam o
espectador apenas com a ideia do que teria acontecido com os personagens. Tal
recurso limita os gastos e demanda um esforço muito menor por parte da equipe.
Os elementos
tradicionais utilizados aqui são sempre baseados nos filmes dos últimos dez
anos sobre zumbis. O erro aqui é o de não trazer nada de novo. Tudo é repetido
de uma cultura norte-americana. Não há espaço para nenhum tipo de fragmento
original na trama. Nem mesmo o típico humor coreano, algo que ajudou o cinema
do país a ganhar notoriedade no ocidente, está presente aqui. Aliás, muito pelo
contrário, o que está presente no filme será sempre uma noção de
sentimentalismo insosso.
Já para reta
final do filme, entraremos em um grande emaranhado de repetições nas cenas. O
roteiro, escrito pelo diretor e Joo-Suk Park, não consegue encontrar caminhos viáveis para escapar dessas
repetições. A solução para isso foi o de aumentar a carga já desproporcional de
sentimentalismo entre os personagens centrais. Tudo aqui é superficial e
extremamente forçado, incomodando o espectador a cada resquício de cenas que
tentam evocar emoções.

Outro erro
presente no filme é o de utilizar mais efeitos visuais do que o necessário,
tirando o peso das cenas. O uso do popular CGI quebra qualquer construção
positiva de cena. E podemos facilmente afirmar que toda essa utilização de
efeitos exacerbados combinados com a câmera que ignora o fator estético, já
citado acima, está unicamente presente no filme pela limitação de seu diretor.
A direção de Sang-ho Yeon é, quando decidimos avaliar o todo, regular. Ele consegue manter um
ritmo único durante os 118 minutos de duração do filme. Vale destacar também o
êxito do diretor em conseguir uma carga frenética interessante que é o fator de
maior destaque do filme. Porém, os erros e limitações ficam mais evidentes
quando Yeon nos entrega planos fechados, com enquadramentos limitados e pouco
reveladores, e a utilização de uma câmera documental até mesmo nas cenas mais
tranquilas.
 O elenco
segue o padrão direcional e também entrega atuações limitadas. Os
protagonistas, Yoo Gong
e Soo-an Kim, não demonstram estarem realmente vivendo aquele pesadelo
no trem. Os dois entregam feições ausentes de emoção, mesmo nas várias cenas
mais sentimentais, prejudicando na absorção de suas interpretações.
‘Invasão
Zumbi’ é uma obra completamente descartável tendo em vista a enorme gama de
filmes recentes do gênero que entregam tramas muito mais impactantes e
autorais. Um filme que não consegue nem mesmo se adequar aos padrões de seu
país, decidindo copiar o que há de mais saturado no cinema ocidental.
Nota CI: 5,5 Nota IMDB: 7,5
Filmografia:
INVASÃO
Zumbi. Direção: Sang-ho Yeon. 2016. 118 min. Título Original: Busanhaeng.