Aderindo a um
estilo pouco usado e completamente ineficaz, ‘Maníaco’ abre mão da estética
tradicional para dar vida a sua trama. Entretanto, o maior problema aqui é que
a própria trama se faz insossa e rasa, menosprezando a capacidade do
espectador. O filme ainda tenta evocar na cabeça do espectador referências a
grandes clássicos do gênero, como ‘Psicose’(1960) e ‘Psicopata
Americano’(2000), mas erra quando confunde referências com meras repetições
inócuas. Seu diretor, Franck Khalfoun, ainda escolhe por utilizar de uma violência desmedida e gratuita no
andamento do filme, incomodando e deixando desconfortável o já insatisfeito
espectador.
A trama nos
coloca, literalmente, para seguir os passos de Frank, um jovem psicopata que
sai a noite escalpelando mulheres atraentes a sangue frio. Frank possui uma
loja(ou armazém) de manequins, onde utiliza os escalpes das mulheres para
colocar nos bonecos. A história adentrará ao seu ponto de maior destaque quando
uma mulher, amante de manequins, conhece o lugar e começa a se sentir atraída
pelo trabalho de Frank, dando início a um jogo cego entre o psicopata
desenfreado e a mocinha ingênua.
Em nenhum
momento o filme entrega algo de qualidade para seu público. Do primeiro ao
último minuto, entraremos em um imenso emaranhado de situações injustificáveis
e incômodas, seja por seu aspecto estético ou pelo constante uso de uma
violência gráfica. Essa primeira decisão de tentar quebrar com os paradigmas
tradicionais de se fazer cinema é um tentativa frustrada.

Essa quebra
com a estética se faz pelo uso de uma câmera que nos coloca no interior do
protagonista. Enxergamos exatamente o que ele vê e nada mais. Esse modelo de
filmagem, que usa do aspecto voyeurístico e documental, não é inédito e teve
sua primeira aparição na década de 1940, com o cultuado, mas não menos
horroroso, ‘A Dama do Lago’(1947). Esse estilo de filmagem é um equívoco por si
só, tirando o que o cinema possui de mais substancial: a composição de seus
planos.
Aqui essa
preocupação é inexistente, os planos são, obviamente, tremidos, sem
profundidade e visualmente agressivos. Vale a pena dizer que o filme de 2015,
‘Wild in Blue’, presta uma homenagem a este filme aqui, utilizando também do
mesmo modelo de direção e a mesma temática, onde o resultado é praticamente
idêntico, fracassando em todas as suas investidas. Vale a pena também ressaltar
que esse estilo agressivo de se fazer cinema nem sempre foi mal utilizado.
Temos como exemplo o ótimo ‘Viagem Alucinante’(2009), que, mesmo nutrindo
algumas diferenças cruciais, adere a um modelo bem parecido e obtém sucesso em
sua proposta.
Em anexo a
esse aspecto direcional, a trama do filme é superficial demais, cada conflito
surgido em tela é mal construído, pecando por utilizar situações demasiadas.
Todas as cenas mais intensas do filme soam inverossímeis aos olhos do
espectador, com perseguições surreais e assassinatos fantasiosos. Os
personagens sempre vão dispensar em tela frases simples e que não servem para
constituir um mapa de suas motivações.
O filme ainda
vai citar clássicos do gênero, como dito no início da crítica. O problema é que
não são referências genuínas, mas, sim, cópias vazias. Utilizaremos toda a
construção anterior aos assassinatos, com músicas leves e alegres, exatamente como
‘Psicopata Americano’ e uma trama com o aspecto materno, que trata por motivar
todas as ações do protagonista, assim como em ‘Psicose’.

A direção de Franck Khalfoun não elenca em todo o filme um único aspecto positivo para balancear a
completude da obra. Além dos quesitos já destrinchados acima, o diretor ainda utiliza
de um senso apelativo, com cenas extremamente fortes, que incomodará até o mais
devoto ao gênero “slasher”, jamais justificando as suas existências.
Concomitante a isso, ainda teremos uma edição monótona e uma trilha sonora que
foge ao que a atmosfera do filme propõe.
Não há espaço
para uma construção de elenco no filme, todas as cenas são capitaneadas por Elijah Wood. Fica até difícil definir sua atuação, já que teremos
planos onde a única coisa que possuímos do ator é sua voz. Os poucos planos
onde o ator aparece em forma física são sempre tomados de posturas exacerbadas
e expressões faciais carregadas.
‘Maníaco’ é
um filme ruim e injustificável. Sua derrocada ao fracasso não se faz unicamente
pela utilização de uma estética precária na hora de sua execução, mas também
por todo um roteiro equivocado e presunçoso. Os 89 minutos de duração do filme
passam lentamente aos olhos do espectador. Assistir a este filme é um exercício
doloroso e desnecessário.
Nota CI: 1,5 Nota IMDB: 6,1
Filmografia:
MANÍACO.
Direção: Franck Khalfoun. 2012. 89 min. Título Original:
Maniac.
PSICOSE.
Direção: Alfred Hitchcock. 1960. 109 min. Título Original: Psycho.
PSICOPATA
Americano. Direção: Mary Harron. 2000. 102 min. Título Original: American Psycho.
DAMA do Lago,
A. Direção: Robert Montgomery. 1947. 105 min. Título Original: Lady
in the Lake.
WILD in Blue.
Direção: Matthew Berkowitz. 2015. 82 min.
VIAGEM
Alucinante. Direção: Gaspar Noé.
2009. 161 min. Título Original: Enter the Void.