Pautando-se
na utilização do que há de mais habitual no gênero de suspense, Jason Stone, em seu primeiro trabalho como diretor de longa-metragem, não cria aqui
nada de novo. ‘A Convocação’, apesar de ter uma protagonista excepcional e um
elenco de qualidade, acaba se norteando por uma trama superficial e batida, a
utilização de um senso cômico que não funciona e resoluções para conflitos e
mistérios esburacadas e inverossímeis.
O filme nos
coloca para seguir os passos de Hazel Micallef,
uma policial de uma pequena cidade dos Estados Unidos, que guia seus dias
sempre com a ideia de uma infinita repetição, bebendo e resolvendo casos tolos
do lugar. Tudo muda na vida da mulher quando estranhos assassinatos começam a
acontecer na cidade e a investigação de alguns detalhes sobre os casos revelam
que um serial killer poderia estar rondando o lugar. A trama ganhará substância
na luta de Hazel para capturar o assassino e eliminar antigos fantasmas de sua
vida.
O início do
filme trabalhará para expor ao espectador as nuances daquela pequena e fria
cidade, onde nada acontece e seus habitantes parecem, simplesmente, esperar
pela morte. Em meio a todo esse clima desalentador, somos introduzidos a
protagonista do filme. Toda essa definição do lugar se enquadra perfeitamente
ao que compõe a personagem de Hazel. O filme passa a acompanhar, antes da
descoberta do primeiro assassinato, um dia na pele da mulher e seu cotidiano
insosso.

Somos,
também, introduzidos ao momento psicológico conturbado que Hazel se encontra e
seu relacionamento problemático com sua mãe. Além de passar seus dias bebendo,
seja no trabalho ou em seu tempo de folga, Hazel também faz uso constante de
analgésicos fornecidos para um antigo problema nas costas. Essa combinação,
aliada com o relacionamento danoso com sua mãe, trabalham por sempre diminuir a
autoestima dessa mulher.
O desenrolar
dos assassinatos e, concomitantemente, da investigação, dão a possibilidade de
redenção por parte da mulher, uma forma de apagar antigos erros e fatos que se
faziam presentes até aquele instante. Todos os contornos do filme seguem esse
objetivo em especial, com todos os diálogos, paralelos a personagem, agindo
para colocar a trama no caminho esperado.
Os problemas
começam a aparecer na tentativa de suavizar a história, utilizando um senso de
humor que não faz efeito. As piadas, sempre nutrindo um senso sarcástico das
situações, parecem estar inseridas nos momentos errados, atrapalhando a
absorção da história ao invés de ajudar.
Conforme o
filme avança, começaremos a perceber nitidamente a qualidade precária do
roteiro. Esse roteiro, escrito por Scott Abramovitch, baseado no romance de Inger Ash Wolfe, acaba jogando fora toda a construção interessante que havia feito
sobre a personagem no início do filme, recorrendo a resoluções de conflitos que
sempre apelam por uma utilização mal feita do campo preditivo que determinará o
andamento da trama.

A direção de Jason Stone acaba seguindo todos os problemas inseridos na trama. Stone acaba
criando cenas onde a utilização dos ambientes é negligenciada e a exposição dos
atores limitada. As cenas parecem muitas vezes soltas em meio à trama e o
diretor possui alguma dificuldade ao introduzir personagens importantes no
filme. Os enquadramentos seguem esse padrão de qualidade, com uma
cinematografia sem profundidade e demasiadamente acinzentada.
O elenco
conta com nomes interessantes, como Donald Sutherland, Topher Grace, Ellen Burstyn e, a protagonista, Susan Sarandon. No entanto, todos possuem um campo limitado, como dito acima, para
realizar suas atuações. Como se não bastasse o roteiro errático, os atores ainda
são prejudicados a cada plano do filme. Sarandon é quem possui um campo mais expansivo
para reger sua atuação em detrimento de seu grande tempo em tela, conseguindo adentrar
bem a sua personagem, nos entregando uma mulher confusa e a procura por um sentido
em sua vida.
‘A
Convocação’ é um filme que possui um início produtivo, mas que acaba caindo em
erros comuns ao gênero, sempre recorrendo a desfechos tradicionalmente
exacerbados. Toda essa mediocridade do roteiro poderia ser atenuada por uma
direção mais habilidosa, no entanto, esta acaba se fazendo ainda pior. O que
realmente atenua os erros do filme é a inclusão de rostos familiares ao
público, onde, mesmo que negligenciados pela direção, trazem um grau maior de
importância para a trama.
Nota CI: 6,0 Nota IMDB: 5,8
Filmografia:
CONVOCAÇÃO,
A. Direção: Jason Stone. 2014. 108 min. Título Original: The Calling.