No terceiro filme como diretor de sua carreira, Woody Allen
entrega ao espectador uma comédia simples, pautada sempre em resoluções básicas
para os eventuais caminhos seguidos pela trama. ‘Bananas’ também segue os
modelos básicos que o diretor trilhou durante toda sua filmografia, com um
humor inteligente e de fácil acesso, utilizando aqui, no entanto, outros
elementos que iriam se aperfeiçoar em anos subsequentes, como o ritmo rápido do
roteiro, guiando-se como se fosse um show de comédia, e situações cômicas
baseadas, muitas vezes, no senso do absurdo.


O filme conta a história de Fielding Mellish,
um americano que gosta de reclamar da vida, na faixa dos trinta anos de idade,
que, após ser “chutado” por sua namorada ativista, resolve partir para um país
sul-americano que enfrenta uma situação política turbulenta, a fim de
impressionar a mulher. No entanto, a situação encontrada pelo homem no lugar
não fazia parte de seus planos.

Aqui, sempre
seguiremos um ritmo de comédia único, mostrando, sempre de forma cômica, os
passos erráticos de Fielding pelo mundo. A reta inicial segue uma linha mais
introdutória, mostrando a vida do personagem desde sua rotina em seu emprego
formal até o momento que decide deixar sua vida nos Estados Unidos para trás.

Apesar da
linha única para o desenvolvimento da trama, o filme ainda não adere a um nível
muito veloz de situações cômicas nessa primeira metade. As cenas sempre vão se
basear na inabilidade do personagem em encontrar sua substância em meio à
sociedade e, em especial, às mulheres.

Conforme avançamos para a vida do personagem já em seu novo
país, o filme sofre uma pequena alteração na estrutura de sua trama, sempre com
o mesmo ritmo, mas agora fugindo para um humor mais “desarrumado”, com
situações que beiram o gênero da paródia, utilizando construções de cenas mais
apressadas, que se sucedem até o final do filme.

Vale ressaltar que todas as formas de se fazer comédia
usadas pelo filme acabam por funcionar. O que acontece aqui é que, às vezes, um
senso de confusão acaba surgindo no espectador em virtude da quantidade de
resoluções apressadas que o filme adere, fazendo este perder um pouco o foco na
trama.


No comando da direção e do roteiro, como de costume, Woody
Allen apresenta uma grande conjunção de elementos, ainda de uma forma meio
primitiva, que veríamos no decorrer de sua filmografia. O ato de rir de si
mesmo, a interação frequente entre protagonista e espectador (sem que se faça
necessário sempre a quebra da quarta parede) e o estilo de comédia inteligente,
sempre pegando influências de outros filmes (vale lembrar da icônica cena do
sonho do personagem principal de ‘Morangos Silvestres’, clássico de Ingmar
Bergman
, que o filme recria de sua forma toda especial) ou materiais sobre o
mundo, para atingir o público.

Inserindo-nos no campo das atuações, teremos, como único
nome de destaque, Woody Allen vivendo o errático Fielding Mellish.
Allen, mais frenético do que o habitual, entrega uma atuação bastante corporal,
fazendo com que gestos aumentem ainda mais as já inúmeras situações cômicas
presentes no filme.

Regular
quando analisamos o contexto geral, ‘Bananas’ acaba se destacando por pequenos
trechos extremamente divertidos, que acabam tornando o filme mais aprazível ao
espectador. O filme ainda é a chance de vermos como um cineasta pode crescer
com o tempo, melhorando ideias já ótimas e se destacando no gênero. Um filme
curto, apenas 82 minutos de duração, que, sem dúvidas, se faz essencial para o
fã de Woody Allen.

Nota CI: 6,4 Nota IMDB: 7,1
Filmografia:
BANANAS.
Direção: Woody Allen. 1971. 82 min.
MORANGOS
Silvestres. Direção: Ingmar Bergman. 1957. 91 min. Título Original: Smultronstället.