Seguindo a linha de grandes sucessos de sua filmografia, William Friedkin entrega uma obra ousada e movimentada, caracterizando-se como um dos
melhores filmes de ação da década de 1980. O filme se vale de uma direção de
qualidade, uma trilha sonora que rege os passos dos personagens, uma trama com
ausência de clichês e a possibilidade de fugir do que é comum ao gênero dá o
charme final à obra. ‘Viver e Morrer em Los Angeles’ possui quase 2 horas de
uma ação intermitente, capturando completamente a atenção de seu espectador.


A trama do
filme traz a jornada de alguns agentes do serviço secreto local e suas buscas
desenfreadas pela resolução de um caso que envolve um falsificador de dinheiro.
O filme eleva sua atmosfera quando um dos agentes é brutalmente morto, poucos
dias antes de se aposentar, ao investigar uma pista aparentemente fria sobre o
caso, deixando seu parceiro completamente obcecado em descobrir tudo sobre o
caso.

O início do filme se faz veloz, utilizando, logo em seus
primeiros minutos, uma cena bastante movimentada, que serve para nos alocarmos
no clima que a obra nos propõe. Esse começo alterna gêneros, onde, apesar de
guiar-se na ação, também capturar alguns elementos do suspense, dando momentos
de sobriedade a cenas e resoluções da trama que acontecem muito rápidos.

Apesar do filme reger uma aura frenética em seus desnivelamentos,
teremos também a possibilidade de nos inserir calmamente nas motivações dos
personagens, em especial de seu protagonista, para agirem de determinadas
formas. Essa forma de esmiuçar todo o comportamento dos personagens acaba
trazendo mais substância à trama que estamos acompanhando, fazendo o espectador
se importar com cada um dos envolvidos.

Outro ponto interessante para se acompanhar, é a forma que
se desenrola a investigação sobre os acontecimentos do filme. Aqui, a trama
decide dividir os acontecimentos em cerca de dois meses, informando sempre o
espectador, assim que alteramos de cena, o dia em que determinado evento
acontece. Esse modelo fica ainda mais interessante quando decidimos analisar a
desconstrução de cada personagem em meio a esse período de tempo.

É importante aqui fazer um paralelo sobre a quantidade de
personagens que o filme decide destrinchar. Geralmente, uma trama comum se
apega a duas ou três figuras do filme para analisar e guiar a obra. Aqui, no
entanto, teremos as jornadas de seis personagens investigadas de uma forma
bastante competente. Cada um com motivações, formas de agir e comportamentos
diferentes. A única coisa que não se altera em todos os personagens é a figura
da degeneração psicológica a que todos passam nesses dois meses que o filme
abrange.


A reta final da obra é um deleite para o espectador. Veremos
uma troca de posições entre os personagens, onde heróis se transformam em
vilões. A figura da obsessão sem limites, que permeia todos os responsáveis
pelas investigações, em especial o protagonista, acaba condenando seus passos
futuros, levando-os a diversas atitudes surreais. Essas atitudes culminarão em
cenas finais que fogem a todos os clichês do gênero.

Adentrando ao campo da direção, William Friedkin conduz um trabalho muito bom. O diretor utiliza de alguns conceitos que
deram certo anteriormente em sua filmografia, como as perseguições de
automóveis frenéticas de ‘Operação França’(1971), a iminência de que algo pode
acontecer a qualquer momento, assim como ‘O Comboio do Medo’(1977), e algumas
cenas que emitem bastante tensão ao espectador, utilizando de planos densos e
cadenciados, como em ‘O Exorcista’(1973).

Vale também
destacar mais dois itens da arte técnica: a bela fotografia (dirigida por Robby Müller)
quente que insere o espectador a toda aquela atmosfera conturbada, prezando por
planos que exponham toda a confusão que rege os personagens, e a trilha sonora
espetacular, conduzida por Wang Chung, que guia todos os trajetos do
filme, sempre aderindo a composições elétricas e pulsantes.

O elenco segue todo padrão de qualidade do resto do filme.
Aqui teremos uma grande escalada de atores competentes, como William Petersen, Willem Dafoe, John Turturro e Dean Stockwell. No entanto, o destaque, sem dúvidas,
vai para Petersen e Dafoe, promovendo um embate frio. Ambos interpretam
personagens opostos, um muito temperamental e o outro calmo e tranquilo, com
atuações competentes.

Viver e Morrer em Los Angeles’ é um filme que decide fugir
do que há de mais tradicional do gênero, propiciando ao espectador escolhas
incomuns e inesperadas. O filme passa de maneira rápida, parece ter muito menos
tempo do que realmente possui, sem, no entanto, tornar-se superficial. Um dos
melhores filmes da década correspondente e um dos filmes de ação mais positivos
do gênero.

Nota CI: 7,7 Nota IMDB: 7,3
Filmografia:
VIVER e Morrer em Los Angeles. Direção: William Friedkin. 1985. 116 min. Título Original: To Live and Die in L.A.
EXORCISTA, O. Direção: William Friedkin. 1973. 122 min. Título Original: The Exorcist.
COMBOIO do
Medo, O. Direção: William Friedkin. 1977. 121 min. Título Original: Sorcerer.
OPERAÇÃO
França. Direção: William Friedkin. 1971. 104 min. Título Original: The French Connection.