Expondo uma
conjunção de personagens maltratados pelo meio social, um senso de tragédia inserido
em cada fragmento de cena e uma noção de banalização da sexualidade por meio da
protagonista, ‘O Encontro’ se notabiliza por ser um filme que traz muitos
conceitos sem, no entanto, conseguir obter êxito em nenhum. Seu diretor, André Téchiné, falha em dar dinamicidade e peso aos personagens, tornando o filme
muito ritmado e, até mesmo, insosso em alguns momentos. Porém, nem tudo sai
errado no filme quando falamos da composição do elenco. A atuação da
protagonista do filme consegue dar substância a sua personagem e tornar as
cenas em que está participando mais aprazíveis e sensíveis.
A trama do
filme caminhará pelas vidas movimentadas de alguns personagens e suas escolhas
sempre equivocadas. Sempre girando em torno da personagem Nina, uma atriz de
teatro, a história vai nos mostrar como a figura da paixão e do sexo são fortes
no ser humano. Durante seus curtos 82 minutos de projeção, o filme trabalhará
todos os relacionamentos conturbados de Nina e suas consequências nas vidas de
todos ali inseridos.
Mesmo sendo
bastante curto para a trama que se propõe em contar, veremos o filme dar um
ritmo cadenciado para o desenvolvimento de conflitos dos personagens. O começo
do filme acaba se pautando exclusivamente em mostrar ao espectador as facetas
de determinados personagens que conduzirão o filme. Aqui, partiremos sempre do
pressuposto do conceito de personagens ignorados e maltratados pelo ambiente
que os cercam. Seja na construção de uma personagem vista como um mero objeto
sexual
ou pela figura de um jovem incapaz de se fazer escutar em sua rotina
diária, o filme sempre utilizará esses dramas para tentar dar rumo à trama.
Por
intermédio dessa questão da objetificação do ser humano para determinado
interesse, neste caso o sexo, são construídos todos os pilares que sustentarão
o filme. A personagem principal é vista como um instrumento para satisfazer as
necessidades sexuais dos homens ao seu redor, e ela jamais procura extinguir
este conceito de sua vida, mesmo sofrendo com isto. O sexo acaba sendo para
Nina uma saída para situações conflituosas ou para atingir determinado
interesse profissional.
Os problemas
começam a ficar evidentes no filme quando entramos em um emaranhado repetitivo
interminável que nos deixa presos a essas construções iniciais. Tudo é regido
por uma superficialidade exacerbada. Os diálogos são rasos e pouco contundentes
para formalizarmos uma análise completa sobre os personagens e cada cena
utilizará sempre o sexo para chegar ao seu desfecho, não conseguindo concluir
suas cenas de outra forma.
Conforme
avançamos, não conseguiremos dar importância aos caminhos escolhidos pelos
personagens, o espectador se sente alheio a eles e, consequentemente, à trama.
Também vale salientar uma disparidade entre roteiro e direção. Mesmo tendo
participado da elaboração da história, junto com Olivier Assayas, o diretor não consegue levar para cada cena o senso intrínseco trágico
do roteiro, com cenas sem peso para diálogos e situações pesadas.
Essa direção
também erra em deixar o filme com um aspecto defasado e sujo, utilizando
cenários e ambientes pouco imersivos. André Téchiné também escolhe por deixar a atmosfera do filme crua, com pouca
utilização de uma trilha sonora e cenas longas e monótonas. É impressionante
como Téchiné consegue deixar uma obra de apenas 82 minutos demasiadamente longa
em sua execução.
O elenco
conduz a história de forma competente, sempre projetando um peso maior para
diálogos vazios, mesmo com alguns de seus componentes escolhendo por um ar
teatral desproporcional para suas atuações. Encabeçando esse elenco, temos Juliette Binoche. Em um de seus primeiros filmes, Binoche já consegue evidenciar alguns
pontos que viriam a compor sua carreira. Aqui ela consegue elevar a qualidade
precária do filme nas cenas em que está presente, emanando um ar de fragilidade
em seus atos.
O Encontro’,
mesmo tendo como ponto positivo a presença de Juliette Binoche, é uma obra
dispensável. A direção é ruim, não consegue trabalhar bem com o tempo que lhe é
disposto, fugindo sempre para a exposição de cenas de sexo, e o roteiro peca em
não dar profundidade para seus personagens centrais, apesar de apresentar um
começo interessante e socialmente relevante.
Nota CI: 6,1 Nota IMDB: 6,7
Filmografia:

ENCONTRO, O.
Direção: André Téchiné. 1985. 82 min. Título Original:
Rendez-vous.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});