O tema desta lista é o prolífico cinema dinamarquês. O cinema dinamarquês acabou sofrendo um grande salto em qualidade na última metade da década de 1990, com o advento do movimento intitulado ‘Dogma 95’, que tinha uma série de normas e regulamentações simbólicas sobre como um filme deveria ser feito no país, tendo como principais nomes, nada menos que, Thomas Vinterberg e Lars Von Trier. No entanto, o cinema do país foi se consolidar, definitivamente, como uma grande potência da sétima arte uma década depois, com uma grande carga de filmes, diretores e atores de talento em um padrão de regularidade. Os filmes abaixo procuram trazer uma boa variedade do que há de melhor sobre o cinema da Dinamarca. Vamos à lista!

 

10º – Pusher (Nicolas Winding Refn, 1996)

Concentrado no meio da máfia local, a trama se desenvolve através da dívida de um jovem e a tentativa intermitente de pagá-la, independente das formas encontradas. Servindo como ponto de partida para uma trilogia, ‘Pusher’ apresenta uma atmosfera frenética para trazer a dinamicidade necessária ao filme.

 

9º – Os Idiotas (Lars von Trier, 1998)

Um grupo de pessoas rompe com os laços morais e éticos da sociedade local, desenvolvendo uma nova forma de reger seus passos sobre a terra, pautados no lado instintivo de suas personalidades. Polêmico, ‘Os Idiotas’ é um filme com uma qualidade medíocre, filmado de uma forma meio primitiva, sem um cuidado estético na execução das cenas, e com um roteiro um pouco presunçoso. No entanto, os conceitos abordados e a ideia central da obra fazem com que a experiência de assisti-lo seja positiva e necessária para entender a evolução do cinema dinamarquês e do cineasta Lars Von Trier (diretor do filme).

 

8º – Klown (Mikkel Nørgaard, 2010)

Tentando provar para sua namorada sua capacidade paternal, um homem chegando à meia-idade, sequestra seu sobrinho de 12 anos para mostrar seus dotes como figura responsável, somente para explicitar o oposto. Oriundo de uma série de TV, ‘Klovn – The Movie’ é uma comédia hilária, pautando-se sempre por um uso de humor de baixo nível, bastante gráfico, para reger sua trama, mas que, no entanto, consegue chegar ao seu objetivo de entreter seu espectador.

 

7º – A Caça (Thomas Vinterberg, 2012)

Um professor calmo e solitário tem sua vida social desconstituída após ser acusado falsamente de ter molestado uma criança. Questionando alguns valores que o meio social opta por se agarrar, ‘A Caça’ mostra como instâncias pequenas da vida, como uma mentira oriunda de um período normal da infância, podem atuar de forma destrutiva para um indivíduo.

 

6º – O Amante da Rainha (Nikolaj Arcel, 2012)

No século XVIII, uma jovem rainha acaba por apaixonar-se por um médico e conselheiro de seu marido, um rei completamente insano e inseguro, vindo a vivenciar dilemas morais sobre a coisa certa a se fazer e tentando esconder o romance de todos.

 

5º – Entre o Bem e o Mal (Anders Thomas Jensen, 2005)

Um neonazista, condenado a cumprir serviços sociais em uma igreja, encontra seu contraponto de personalidade e comportamento na figura de um padre. Explorando a figura da redenção inserida no ser humano, ‘Entre o Bem e o Mal’ evidencia como o ambiente é importante para o desenvolvimento social e psicológico de um indivíduo.

 

4º – Em Um Mundo Melhor (Susanne Bier, 2010)

Vidas se cruzam, histórias antes distintas acabam sofrendo um processo simbiótico inexorável, explicitando todos os nuances de jornadas erráticas de indivíduos sobre o mundo que, quando unidos, concebem algo novo e mais aprazível. O filme ainda trabalha com o conceito de bondade exposto em um dos personagens, fazendo um contraponto com as exacerbações do mundo.

 

3º – Depois do Casamento (Susanne Bier, 2006)

Um coordenador de um orfanato da Índia deve retornar para Copenhague para angariar fundos para a instituição. Conforme chega ao lugar e passa a compartilhar experiências das pessoas locais, o homem verá eclodir diversos fantasmas de experiências passadas jamais concluídas, vindo a descobrir segredos familiares que alterarão completamente sua vida. Nutrindo um roteiro conciso e uma direção impecável, ‘Depois do Casamento’ nos apresenta uma história fascinante sobre a imprevisibilidade da vida.

 

2º – Submarino (Thomas Vinterberg, 2010)

A trama apresenta as histórias de dois irmãos, marcados por um trágico evento de suas infâncias, que atravessam, cada um à sua maneira, jornadas erráticas sobre o mundo. ‘Submarino’ é um filme triste que mostra como o passado pode se tornar uma instância empedernida na vida de uma pessoa, atuando por delimitar completamente seus campos de atuação, provocando-lhe sofrimento e, consequentemente, o aparecimento de psicopatologias.

 

1º – Festa de Família (Thomas Vinterberg, 1998)

Uma festa de um patriarca de uma família acaba tomando proporções caóticas quando, em determinado ponto das comemorações, seus filhos começam a revelar segredos aterradores sobre o passado de seus integrantes. Dirigido por Thomas Vinterberg (talvez o maior diretor dinamarquês da atualidade), ‘Festa de Família’ é um estudo sobre os construtos morais intrínsecos ao ser humano, explicitando, durante os seus efêmeros 105 minutos, um desfile catártico de personagens atormentados por eventos turbulentos de um passado nada aprazível.