Capítulo
inicial da saga do personagem Musashi Miyamoto, ‘O Samurai Dominante 1 –
Musashi Miyamoto’ apresenta uma história acerca do processo de amadurecimento
de um homem, sempre fazendo um contraponto com o espírito social da época em
que a trama acontece. Dirigido pelo lendário diretor japonês Hiroshi Inagaki, o
filme apresenta seus pontos fracos, como o omissão de elementos importantes da
jornada do personagem e o ritmo inconstante, mas que se destaca em trazer uma
história envolvente, além de seu carismático e extremamente talentoso
protagonista.
A trama do
filme, baseada no romance de Eiji Yoshikawa, traz a história de Musashi
Miyamoto, um jovem que dispensa um comportamento exacerbado no lugar em que
vive, e seu sonho de se tornar um samurai. O filme se norteará durante os seus
93 minutos de projeção destrinchando os passos de Miyamoto nesta busca, expondo
os diversos percalços, dores e prazeres do personagem durante a jornada.

Os fragmentos
iniciais do filme procuram sempre emanar uma atmosfera de aventura sobre os
passos dos personagens centrais, em especial do protagonista. Aqui, sempre
prezando por cenas rápidas e pouco trabalhadas conceitualmente no roteiro, o
filme procura desenvolver e apresentar o ponto central de sua trama,
trabalhando desde o começo por evidenciar que a obra se alocará na busca de um
homem por seu sonho de se tornar samurai.
No entanto,
são essas tentativas de construções rápidas que perpetuam o maior erro do filme.
Há uma tentativa de contar uma grande proporção das vidas dos personagens em
somente 93 minutos de filme, ocasionando uma perda de substância em vários
pontos da história. Fatores potencialmente irrelevantes para o espectador e no
interior da história são suprimidos, no qual o roteiro presume que a mensagem
esteja implícita, sem a necessidade de mostrar as cenas. Quando decidimos olhar
para a figura geral, essa parte suprimida de história, sem dúvidas, se faz
pequena. Porém, no momento em que assistimos ao filme, a falta destes fragmentos
acabam ficando evidentes e, de certa forma, diminuindo um pouco a importância que
damos aos personagens.
Conforme
avançamos sobre o filme, pouco a pouco, ganharemos em dinamicidade, no qual os
personagens passam a evoluir, deixando para trás antigos erros e comportamentos
danosos. Passaremos a enxergar Miyamoto, nosso protagonista, não mais como um
jovem em jornada errática sobre o mundo, mas, agora, como um homem marcado pela
vida na construção de seu sonho. As esferas exacerbadas de seu comportamento
jamais são completamente sobrepujadas, mas elas acabam por ficar menos lesivas
ao indivíduo. O único ponto que, talvez, não diminua com o andamento da
história no personagem é sua indissociável vontade de poder intrínseca a sua personalidade.
Seu inerente desejo de se elevar perante o mundo. Seu inerente desejo de
tornar-se algo grande e contrariar antigas previsões pessimistas de
companheiros do vilarejo no qual cresceu.
A reta final
do filme somente trabalhará por complementar toda a rápida evolução da trama.
Não há espaço para acontecimentos grandiosos, como eventuais batalhas entre os
personagens, guiando-se unicamente por cenas calmas, representando toda a
chegada a um grau de maturidade em Miyamoto.
Guiando-nos
para o campo da direção, veremos o há de mais comum e espetacular no cinema
japonês
das décadas de 1950 e 1960. Comandada por Hiroshi Inagaki, a direção se
pautará em planos sempre densos para evidenciar o cerne dos personagens ou, até
mesmo, das batalhas. Inagaki utiliza uma câmera que preza por percorrer todos
os cenários disponíveis, conseguindo propiciar um panorama geral ao espectador
do compêndio que compreende cada cena.

No elenco,
teremos nomes como Mariko Okada, Rentarô Mikuni e Kaoru Yachigusa compondo a
camada secundária do filme. Esses componentes acabam se fazendo regulares na
proposta de cada personagem. O destaque do filme, claro, vai para o ator
Toshirô Mifune, protagonizando a obra. Mifune, como é tradicional em seu modelo
de atuação na década de 1950, se pauta por uma intensidade inerente em falas,
gestos, olhares e comportamentos. O ator acaba, também, tendo uma atuação
bastante física no filme, lembrando muito sua atuação em ‘Os Sete
Samurais
’(1954), estando sempre “elétrico” na maioria das cenas.
Não ficando
notabilizado como uma das grandes obras do cinema japonês da década de seu
lançamento, ‘O Samurai Dominante 1 – Musashi Miyamoto’, no entanto, consegue
abrir de forma acurada a trilogia sobre seu personagem central. Não ausente de
erros, o filme tem seu ponto forte na direção habilidosa de Inagaki e na
presença sempre impactante de Toshirô Mifune à frente do protagonista. Um filme
que, certamente, merece atenção, acabando por cumprir sua proposta.

Nota CI: 6,6 Nota IMDB: 7,6
Filmografia:
SAMURAI
Dominante 1 – Musashi Miyamoto, O. Direção: Hiroshi Inagaki. 1954. 93 min.
Título Original: Miyamoto Musashi.
SETE
Samurai, Os. Direção: Akira Kurosawa. 1954. 207 min. Título Original: Shichinin
no samurai.