Neste Top10, trouxemos filmes que elevam o conceito da perda da identidade em suas tramas. Os filmes abaixo mostram sistemas institucionais destrutivos ao indivíduo, laços familiares prejudiciais, a figura da obsessão como elemento danoso, sistemas sociais defasados, o corpo como fonte de reconhecimento e a sexualidade como uma força muitas vezes pesada demais. Vamos à lista!

 

10º – Bicho de Sete Cabeças (Laís Bodanzky, 2000)

Após seu pai descobrir seu uso de drogas, Neto é enviado a uma instituição mental, a fim de se ver livre de qualquer resquício do vício. Inserido na realidade da instituição, Neto perceberá que a vida lá dentro poderia ser muito mais difícil do que se apresentava a priori. ‘Bicho de Sete Cabeças’ mostra como determinadas instituições trabalham por destruir a síntese do que compreende um indivíduo. Um filme triste em todos os seus desnivelamentos, apresentando-se como uma das melhores obras já concebidas no cinema brasileiro.

 

9º – Gêmeos – Mórbida Semelhança (David Cronenberg, 1988)

Dois irmãos gêmeos, ambos médicos, se veem presos sob um laço inexorável que os une. O filme ganhará sua dinamicidade quando um terceiro elemento, uma mulher atraente, entra na relação, conseguindo quebrar o processo simbiótico dos dois e provocando mudanças cruéis. Obra-prima de David Cronenberg, ‘Gêmeos – Mórbida Semelhança’ consegue captar a atenção do espectador durante todo o filme, sempre se utilizando de uma atmosfera aprazível, emanando sempre um senso de estranheza, como é habitual na filmografia do diretor. Leia Nossa Crítica do Filme!

 

8º – Zodíaco (David Fincher, 2007)

No final da década de 1960, um serial killer aterroriza os Estados Unidos, matando pessoas aleatoriamente e mandando pequenos quebra-cabeças perversos para a mídia. O filme se concentrará em um jornalista e sua obsessão por descobrir mais sobre a figura do assassino. Imerso cada vez mais no emaranhado de fatos acerca do serial killer, esse jornalista adentrará em uma rotina de perda de sua identidade, destruindo seus laços familiares e comprometendo seu futuro.

 

7º – Alpes (Yorgos Lanthimos, 2011)

Um grupo de pessoas acaba por construir como forma de trabalha substituir temporariamente pessoas mortas, tentando atenuar o sofrimento de suas famílias. ‘Alpes’ mostra como o sentido da vida pode ser bastante maleável. Também veremos personagens perdendo completamente suas essências, passando a unicamente reconhecerem-se na interpretação de pessoas mortas.

 

6º – A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)

Na Alemanha Oriental da década de 1980, um agente do serviço secreto é incumbido da missão de monitorar um casal de artistas, tentando encontrar provas da traição ao país de ambos. No entanto, conforme adentra cada vez mais à vida do casal, o homem acaba por confundir sua própria vida com a das duas pessoas, vindo a questionar seu padrão de moralidade e romper com algumas barreiras impostas pelo espírito social da época do local. Leia Nossa Crítica do Filme!

 

5º – Cisne Negro (Darren Aronofsky, 2010)

Uma jovem bailarina acaba tendo a chance de sua vida ao ser escolhida para interpretar a protagonista da encenação do balé dramático de ‘O Lago dos Cisnes’. O filme se concentra no processo de preparação da bailarina, evidenciando sua gradual derrocada à loucura conforme se confunde com a personagem da peça.

 

4º – O Rosto da Maldade (Hiroshi Teshigahara, 1966)

Um homem decide ir a uma clínica para fazer um procedimento no qual alterará sua face. A priori, o procedimento é bem-sucedido, entregando ao homem um novo rosto e, consequentemente, uma nova vida. Porém, conforme começa a conviver mais tempo com seu novo rosto, o homem acaba tendo sua personalidade de outrora alterada, levando-o, pouco a pouco, ao completo estado de alienação de sua essência. ‘O Rosto da Maldade’ nos mostra como nosso processo de reconhecimento interno e externo está muito ligado a nossa compleição física.

 

3º – Nostalgia (Andrei Tarkovsky, 1983)

Um poeta russo e sua intérprete viajam para a Itália, a fim de investigarem a vida de um compositor do século XVIII. No lugar, envolto em um rotina melancólica e pouco significante, o poeta conhecerá um homem mais velho, que as pessoas do lugar afirmavam que enlouquecera a pouco tempo, descobrindo mais sobre si mesmo e passando a se confundir com ele. Obra-prima de Andrei Tarkovsky.

 

2º – O Segundo Rosto (John Frankenheimer, 1966)

Insatisfeito com sua vida, uma homem de meia-idade decide recrutar uma empresa especialista em dar novas vidas às pessoas, forjando sua mortes e lhes dando novos rostos. No entanto, nem tudo é o que parece. Junto com a nova vida surgem novas responsabilidades talvez grandes demais para o homem segurar. Ótimo filme do excelente diretor John Frankenheimer.

 

1º – Persona (Ingmar Bergman, 1966)

Uma enfermeira é incumbida da missão de cuidar de uma atriz que sofreu um colapso psicológico, refugiando-se em uma casa longe do contato de outras pessoas. Isoladas do mundo, as duas acabam por entrar em um processo simbiótico, vendo suas personalidades e escolhas de vida se unirem em um processo catártico irreversível. Obra-prima do sueco Ingmar Bergman, ‘Persona’ é um filme irretocável.