Proporcionando um olhar quase “voyeur” do espectador ao compêndio que compreende um pequeno âmbito da indústria cinematográfica, David Cronenberg entrega uma obra mediana, que falha em sua falta de ambição. O filme trabalhará com a superficialidade do contato humano em algumas de suas ramificações, dispensará a tradicional atmosfera aprazível que o diretor possibilita sempre em sua filmografia e mostrará um elenco permeado de nomes pesados.
A trama, roteirizada por Bruce Wagner, coloca o espectador para acompanhar alguns fragmentos das vidas de inúmeros indivíduos envolvidos, direta ou indiretamente, na indústria de Hollywood. A substância do filme se aloca na tentativa de destrinchar as diversas formas de contato social envoltas nessas pessoas, evidenciando toda uma forma errática de encarar o mundo.
Em meio à camada inicial do filme, teremos a tradicional exposição de personagens que aparentam não ter histórias. Cronenberg opta por suprimir, sempre amparado na figura do roteiro, as motivações de determinados personagens para estarem em algum local ou agirem de certa forma. Essa decisão comum a Cronenberg, utilizada, por exemplo, em obras como ‘Marcas da Violência’(2005) e ‘Scanners – Sua Mente Pode Destruir’(1981), emana uma aura misteriosa para os desnivelamentos que acompanhamos no filme. Ao ponto que começamos a saber mais sobre os caminhos da trama, somos apresentados ao cerne do filme, com a exploração do senso superficial dos personagens estudados. Aqui, as relações de atores, produtores e fãs sofrem com a falta de sentido. Qualquer forma de intercâmbio social exposta pelo filme é permeada de um vazio indissociável. O espectador é alocado como uma espécie de visitante oculto, muitas vezes se sentindo como parte atuante da história.
No entanto, o ponto central de toda a construção da obra é a sua atmosfera nada aprazível. Os diálogos são estranhos, pouco substanciais e travados. A cinematografia e trilha sonora, diferente do que Cronenberg costuma obter em seus filmes, não emanam beleza ou dão dinâmica à história. Todas essas decisões são conscientes, o filme as utiliza para explicitar os caminhos da história. Porém, o campo que mais é atingido com essa proposta é o do elenco.
O elenco conta com nomes como Julianne Moore, Mia
Wasikowska
, John Cusack, Olivia Williams e Robert Pattinson em sua camada
central. Todos estão bem no filme, com destaque para as atuações intensas de
Moore e Wasikowska. Porém, seguindo o eixo que a história oferece, esse elenco
possui uma forma de reger cada aparição em cena exacerbada. São utilizados
gestos extremos, gritos e uma intensidade física dos atores que trabalham por
ajudar a proposta do filme.
Os caminhos finais da obra aderem ao senso trágico de
acontecimentos. O processo degenerativo contínuo exposto em seus personagens
durante todo o filme chega a um último e extremo ponto. O problema dessa parte
final é não conseguir trazer surpresas ao espectador. Apesar da camada extrema
de cenas que são trazidas, não há um choque em quem assiste. De certa forma, esperamos por aqueles trajetos da história.
Nos encaminhando para o trabalho de Cronenberg à frente da
direção, vislumbraremos como o cineasta gosta de expor conteúdos exacerbados em
seus filmes para passar determinada mensagem. Como dito acima, o diretor opta
por não deixar que o filme se desenvolva de maneira aprazível ao espectador,
entregando cenas cruas, sem a inserção de planos movimentados.
‘Mapa para as Estrelas’ é um filme que não entrega a
qualidade que estamos acostumados quando falamos de David Cronenberg. Os
diversos temas trabalhados acabam não se tornando interessantes ao espectador,
que acompanha a história com um distanciamento. A atmosfera rústica e seu
roteiro limitado encerram os erros contidos aqui. Porém, a experiência de
assistir a ele é válida por seu elenco pesado e talentoso.

Nota CI: 6,1 Nota IMDB: 6,2
Filmografia:
MAPA para as Estrelas. Direção: David Cronenberg. 2014. 111
min. Título Original: Maps to the Stars.