Crítica: ‘No Limite do Amanhã’(2014), de Doug Liman

Utilizando-se
de pouca originalidade, ‘No Limite do Amanhã’ produz um filme de ação que
entretém o seu público alvo. Temos aqui um roteiro extremamente fraco, que
aparenta ser uma cópia barata de um clássico dos anos 1990. Entretanto, a
competente direção de Doug Liman consegue salvar em parte o filme.
Já no começo
do filme, somos bombardeados pela preguiça do roteiro, utilizando a famosa
abertura com jornais e canais de TV explicando uma invasão alienígena, nos
dando uma introdução aos personagens de Brendan Gleeson, o comandante geral, responsável pelas grandes decisões da trama, Emily Blunt, uma combatente que se destaca dos demais, e Tom Cruise, aqui um homem
com determinado cargo dentro do exército de seu país (Major), porém, sem a mínima
experiência de combate.
No primeiro
diálogo temos uma conversa entre Gleeson e Cruise que irá traçar o rumo do
filme. O personagem do protagonista aparenta ser aqui, antes da trama contada
no filme, um homem marqueteiro e falastrão, que acaba ganhando sua fama em
virtude dos esforços alheios. O problema é que temos que formular essa
persona do personagem no meio da trama, comprometendo eventos que poderiam ter
outra significância. O diretor, aparentemente, percebe isso e tenta projetar
nesse primeiro diálogo por meio de gestos e expressões faciais um personagem
enrolado.
A parte de
ação do filme se notabiliza como o grande destaque. Bons efeitos visuais e uma edição
competente dão o tom do filme, além da trilha sonora discreta que cai bem na
trama. Entretanto, as inúmeras repetições presentes na trama e um cenário pouco
convidativo, acabam por prejudicar um pouco, deixando o espectador cansado no
decorrer do longa. Já no final do filme o interesse do espectador acaba
diminuindo pela resolução da trama. Vale ressaltar ainda os imensos buracos no
roteiro que desafiam a inteligência de seu público.
O andamento
do filme nos leva a evidente ligação com um clássico do gênero, o espetacular
‘O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final’(1991). A personagem de Blunt é
uma personificação de Sarah Connor. Temos aqui falas parecidas e até mesmo cenas
quase que idênticas às de Linda Hamilton no filme de James Cameron. Já a base
da trama, a questão da repetição de um evento não vivido da forma adequada, é
simplesmente uma cópia quase que idêntica da comédia ‘Feitiço do Tempo’(1993),
de Harold Ramis. Tudo no filme relembra de uma forma extremamente pobre um dos
melhores filmes de comédia já feitos.
No elenco nós
temos um Tom Cruise esforçado, nos entregando uma performance competente. Já
Emily Blunt está demasiadamente apática, apesar de ser uma atriz regular. A
melhor atuação do filme se deve a Bill Paxton. Aqui, ele consegue entreter o público, se utilizando de piadas batidas
e um personagem caricato. E, por fim, o ótimo Brendan Gleeson acaba tendo um
papel pequeno que qualquer ator ruim poderia fazer com competência. Sua
presença aqui é irrelevante, infelizmente.
‘No Limite do
Amanhã’ pode servir de entretenimento ao espectador para um período de relaxamento intelectual. Porém, sua trama horrorosa acaba comprometendo em parte o
filme, o que não quer dizer que a película seja ruim. A direção competente e
rostos conhecidos do público acabam deixando o filme mais leve.

Nota CI: 6,2 Nota IMDB: 7,9

Filmografia:
LIMITE do
Amanhã, No. Direção: Doug Liman. 2014. 113 min. Título Original: Edge of
Tomorrow.
EXTERMINADOR do Futuro 2 – O Julgamento Final, O. Direção:
James Cameron. 1991. 137 min. Título Original: Terminator 2: Judgment Day.
FEITIÇO do Tempo. Direção: Harold Ramis. 1993. 101 min.
Título Original: Groundhog Day.
TRANSFORMERS. Direção: Michael Bay. 2007. 144 min.

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