Crítica: ‘M. Butterfly’(1993), de David Cronenberg

Vindo de uma série de filmes de qualidade, David Cronenberg não consegue manter seu bom ritmo aqui, dirigindo um filme condenado desde a elaboração de seu roteiro. A história fraca, forçada e presunçosa acaba por diminuir qualquer elemento positivo que o filme produz. ‘M. Butterfly’ é um filme limitado, somente tendo como ponto de qualidade o seu ótimo protagonista.

A trama se passa na China, nos anos 1960, contando a história de um diplomata francês responsável por fazer trabalhos burocráticos para o embaixador do lugar. A história ganha corpo quando ele vai assistir uma ópera intitulada ‘Madame Butterfly’, ficando obcecado tanto pela cantora protagonista da ópera, quanto pela peça em si. O filme vai se desenvolver em meio ao romance vivido pelo francês e a cantora em questão, trazendo o conceito cultural do país para nortear os passos dados pelos dois.

O filme começa a tropeçar em seu caminho quando decide rotular, de forma pejorativa, determinados costumes e hábitos chineses. Aqui temos uma visão simplista da cultura chinesa. E é exatamente essa visão que determina o fracasso do filme.

A partir de determinado ponto do filme, começamos a ser introduzidos a uma série de “plot twists” completamente incoerentes, onde toda a história contada até o momentos é descartada. Os personagens passam a agir de forma diferente, confundindo e tirando o interesse do espectador. A reta final do filme culmina em um final absurdo e sem sentido, apenas afirmando seu roteiro desastroso.

O roteiro é adaptado de uma peça teatral, sendo o responsável pelo trabalho o próprio autor da peça. David Henry Hwang faz um péssimo trabalho em adaptar sua própria peça, fracassando em tentar criar uma trama envolvente, colocando elementos inverossímeis que podem até ter dado certo em sua peça, talvez, mas aqui não consegue fazer efeito.

O filme é comandado pela presença notável de Jeremy Irons. Irons consegue, com uma atuação tranquila, concisa e intensa, como é de costume do ator, entregar ao personagem uma substância maior do que a história lhe entrega. Sua atuação começa a decair no final do longa. Em virtude do péssimo material entregue em suas mãos, o ator acaba não tendo para onde correr, tornando-se praticamente impossível entregar algo decente para o espectador.

A direção de David Cronenberg segue a linha tradicional do cineasta, dando foco aos elementos bizarros que surgem na trama. Mas não há escapatória, ‘M. Butterfly’ é um dos piores filmes de sua carreira. Um filme insosso que, apesar do seu início promissor, acaba sucumbindo nas escolhas ausentes de sentido do roteiro. A presença de Jeremy Irons sem dúvida ameniza o efeito negativo do filme, sendo interessante ver o ator em cena, mas não é o suficiente para se perder 101 minutos à frente da tela.

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