Crítica: ‘Uma Janela Suspeita’(1987), de Curtis Hanson

Conservando
em sua essência a aura clássica que permeava a década no gênero, ‘Uma Janela
Suspeita’ é um suspense que consegue entreter muito bem seu espectador apesar
de seu roteiro fraco. Um filme que serviu para Curtis Hanson, seu diretor, nos
mostrar o que estaria por vir em sua filmografia.
A trama do
filme vai se concentrar no desmembramento de uma série de ataques contra
mulheres na cidade, que acabavam por ser estupradas e mortas. A história
ganhará forma rapidamente quando Sylvia, que estava no apartamento de um
empregado de seu marido traindo-o, presencia um ataque pela janela do quarto e
acaba por salvar a mulher gritando por ajuda. 
Deste momento em diante se iniciará um encadeamento de histórias que vão
unir forçadamente Sylvia, o empregado com que tinha o caso, Terry, e a mulher
atacada, Denise. Os três, por suas próprias motivações, procuram empreender uma
caçada contra o assassino em questão.

O filme desde
seu início evidencia um ritmo irregular em seu desenvolvimento. As situações
são exploradas sem que seja feita uma devida introdução básica dos eventos
anteriores. Os personagens são trazidos à tela com motivações banais demais
para convencer o espectador das atitudes que estes acabam tomando. A personagem
que melhor acaba sendo desenvolvida é a de Sylvia. Vemos na mulher um sentimento
de despreocupação quanto à captura ou não do assassino, se concentrando apenas
em manter a história longe dos ouvidos de seu marido, a fim de que este não
descubra sua traição.
Já em Terry e
Denise, a grande maioria de suas atitudes acabam soando inverossímeis. Terry,
sem mais nem menos, desenvolve uma vontade inerente ao seu ser de encontrar o
assassino a qualquer custo, iniciando uma investigação particular. O porquê
dessas atitudes o roteiro simplesmente não apresenta ao público. Em Denise, o
maior ponto de desequilíbrio do filme, vemos uma personagem que age
completamente destoante da forma que uma vítima de um tipo de violência
semelhante o faria. A mulher parece não ter sentido os efeitos psicológicos que
aquela situação traria normalmente, ignorando isto e juntando-se a Terry na
caça do assassino.

Escrito por
pelo próprio Curtin Hanson, baseado no romance de Anne Holden, o roteiro tropeça nos caminhos trilhados, procurando sempre a situação
mais novelesca possível. Além dos três personagens centrais do filme, temos
todo o resto, como policiais, o assassino e o marido de Sylvia, desempenhando
discursos forçados e cheios de clichês.
No entanto,
nem tudo é ruim no filme. A atmosfera emanada no filme é ótima, conseguindo
inserir o espectador no seu clima de mistério. A caça ao assassino também é outro
ponto que favorece o filme, sendo sempre cheia de jogos de enganações entre os
personagens. O clima contido aqui nos remete diretamente a ‘O Fio da
Suspeita’(1985), conseguindo nos desnortear a cada acontecimento.
A direção de
Curtis Hanson é muito competente, sabendo elevar a intensidade do filme com
leves detalhes, como um quadro fechado em um bracelete ou a introdução de uma
música que remete aos assassinatos. E são exatamente esses detalhes que nos
prendem em frente à tela durante os 112 minutos de sua duração. Hanson começava
aqui a construir e aprimorar seu modo de fazer um bom filme de suspense,
chegando ao seu ápice na década de 1990, com filmes como ‘Sob a Sombra do
Mal’(1990) e, um dos maiores clássicos da década, ‘A Mão Que Balança o Berço’(1992).

Nos inserindo
no campo do elenco, temos presentes na trinca que comanda o filme Steve Guttenberg, Elizabeth McGovern e Isabelle Huppert. Todos estão regulares no filme, às vezes pecando pela falta de tato em
algumas cenas, já em outras surpreendendo com olhares e expressões com um nível
de intensidade alto. Huppert está regular no filme, tendo uma atuação
inconstante, entretanto é ela a responsável pelos grandes momentos de atuação
no filme, em efêmeros minutos que mostravam um pouco do que fez da francesa uma
das melhores atrizes da história do cinema. McGovern tem a atuação mais sóbria
do elenco, conseguindo manter uma regularidade padrão durante todo o filme. Já
Guttenberg acaba sendo esforçado, ele é um bom ator, mas, talvez, o fato ter
feito seu nome em filmes de comédia da década atrapalhem um pouco na absorção
de sua atuação.
‘Uma Janela
Suspeita’ está longe de ser um bom filme, mas o fato de elencar uma atmosfera
atraente, junto com elementos característicos da época, faz com que este seja
um ótimo entretenimento. Junte isso a um diretor conceituado na indústria em
seu primeiros passos, atores competentes devotados a seus personagens e uma
temática de sucesso e você terá um filme que, sem dúvida, merece ser visto.
Nota CI: 6,0 Nota IMDB: 6,4
Filmografia:
UMA Janela
Suspeita. Direção: Curtis Hanson. 1987. 112 min. Título Original: The Bedroom Window.
SOB a Sombra
do Mal. Direção: Curtis Hanson. 1990. 99 min. Título Original: Bad Influence.
MÃO Que
Balança o Berço, A. Direção: Curtis Hanson. 1992. 110 min. Título Original: The
Hand That Rocks the Cradle.
FIO da
Suspeita, O. Direção: Richard Marquand. 1985. 108 min. Título Original: Jagged Edge.

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