Crítica: ‘Violência Gratuita’(2007), de Michael Haneke

É sempre
difícil a tarefa de avaliar um remake que é feito pelo mesmo diretor do
original, mantendo praticamente todos os elementos de outrora. Entretanto,
aqui, em ‘Violência Gratuita’ essa tarefa é atenuada em detrimento das poucas,
porém cruciais diferenças. Um filme que peca em vários sentidos, perdendo
completamente o charme e a mensagem intrínseca do original, fazendo um longa de
terror banal e dispensável. Criticar uma obra do cineasta Michael Haneke é uma
tarefa ingrata. Porém, temos que evidenciar que este, de fato, é de longe o
pior filme de sua carreira.
A história do
filme, exatamente igual ao original, vai contar a vida de George e Ann, um
casal com uma vida tranquila, e Georgie, filho do casal. Estas pessoas
aparentam estar se dirigindo para uma casa típica de férias, a fim de passar
alguns dias tranquilos. A trama do filme ganhará sua substância quando um par
de jovens os mantém presos em sua própria casa, dando início a um perverso jogo
que colocará a vida daquelas pessoas em risco.
O
desenvolvimento do filme é amarrado desde as cenas iniciais. Todas as suas
sequências são extremamente robotizadas, jamais avançando naturalmente por sua
história. Os atores incumbidos do trabalho de viver os personagens do filme
parecem pouco a vontade, não conseguindo esconder isto do público.

 

Há aqui uma clara
falta de química entre diretor e atores. Principalmente com a protagonista do
filme. Parece que o diretor de alguma forma não conseguiu transmitir o que ele
realmente queria para os atores. Apesar de esforçados, eles perecem nas cenas
mais intensas, onde falta uma empatia com as situações que os personagens são
expostos. Um ponto que deixa claro essa confusão de atuações é a presença do
filho do casal. O menino possui feições e gestos mais ativos do que deveria,
não parecendo se enquadrar na sua idade.
Não foi por
falta de qualidade em seu elenco que essas situações ocorreram. Temos os bons
atores Naomi Watts, Tim Roth
e Michael Pitt nos papéis de maior evidência. Talvez o personagem
mais aceitável com sua performance seja o de Tim Roth, jamais se destacando,
porém também não atrapalhando o andamento do filme. O promissor Michael Pitt
está escalado em um personagem muito difícil(o principal agressor), onde mesmo
dando o seu melhor, ainda acaba por não se enquadrar e passar veracidade nos
atos do personagem. Já Naomi Watts é o ponto central que evidencia o fracasso do
filme. Excelente atriz, Watts jamais consegue convencer minimamente o
espectador com sua atuação. Cada quadro fechado em seu rosto, algo que deu
proporções inimagináveis no original, não causa nenhuma sensação no público.

 

A direção de
Michael Haneke tenta seguir seu padrão habitual de trabalho. Porém, com o
avançar do filme, vai ficando evidente que isto não acontecerá. Apesar de
tentar repetir ao máximo cada enquadramento e falas contidas no original de
1997, Haneke jamais consegue emanar o mesmo charme que ele. Haneke sofreu aqui
exatamente o mesmo problema que aconteceu com George Sluizer, ao tentar fazer um remake de seu clássico de 1988, ‘O Silêncio do
Lago’(1988). Apesar de Sluizer ter alterado algumas coisas no remake, o
fracasso em sua investida é exatamente igual ao de Haneke.
Outro ponto
que vale ser destacado é a mixagem de som precária do filme. Parece algo
pequeno em um filme, só nos lembramos de sua existência quando o trabalho é muito
bom ou muito ruim. Infelizmente o cenário aqui é do muito ruim, onde sons
simples, como um soco ou uma pancada, soam esquisitos, parecendo filmes típicos
de artes marciais da década de 1970.
‘Violência
Gratuita’ é um filme completamente dispensável mesmo para aqueles mais ávidos pelo
cinema de Michael Haneke. Um filme que talvez tenha tido seus efeitos em
aumentar o reconhecimento do diretor austríaco, mas que, analisando pelo âmbito
qualitativo, jamais deveria ter saído do papel. Um remake que nos faz lembrar o
quanto uma obra pode andar sobre essa linha tênue entre o impactante e o
insosso.
Nota CI: 6,4 Nota IMDB: 6,5
Filmografia:
VIOLÊNCIA
Gratuita. Direção: Michael Haneke. 2007. 111 min. Título Original: Funny Games.
SILÊNCIO do
Lago, O. Direção: George Sluizer. 1988. 107 min. Título Original: Spoorloos.

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