Crítica: ‘Cosmópolis’(2012), de David Cronenberg

Após mais de dez anos sem trazer ao público filmes que exponham um universo paralelo deturpado, David Cronenberg entrega aqui uma obra que explora uma sociedade futurística regida por diversos hábitos fora do comum. A história confusa e sem sentido, os enquadramentos estranhos ao espectador e a presença de um protagonista insosso acabam por resulta no completo fracasso deste filme. ‘Cosmópolis’ entrega um emaranhado de diálogos e situações desconexas ao seu público e, durante os 109 minutos de sua duração, jamais justifica sua existência. Um filme que jamais deveria ter sido feito.

A história do filme, baseada no romance de Don DeLillo, vai girar em torno de um jovem que aparenta ser bastante poderoso em seu meio social e sua saga para realizar pequenos feitos em um dia, como cortar o cabelo, por exemplo. Sua empreitada é sempre combatida pelo meio com tentativas jamais explicadas de assassinato e conversas paralelas completamente inócuas.

O começo do filme é confuso. Nada naquele estranho mundo é explicado minimamente. Os personagens agem e são mudados pelo ambiente sem que o espectador entenda algo do que está acontecendo. Isso é até natural no cinema do Cronenberg, teremos diversos exemplos em sua filmografia de obras que começam completamente confusos, como ‘ExistenZ’(1999) e ‘Mistérios e Paixões’(1991), mas que acabam por orientar o espectador em algum momento de sua trama. E essa é nossa expectativa inicial sobre este filme aqui. No entanto, sentido é algo que passa longe de ‘Cosmópolis’.

Conforme o filme avança, as situações começam a ficar cada vez mais confusas. Aquele mundo futurista não traz nada de comum ao espectador. Os diálogos vão ficando completamente surreais, chegando ao ponto de uma simples conversa em uma barbearia se torne um espetáculo de frases exacerbadas ausentes de sentido.

A história, mesmo não trazendo nenhum resquício de familiaridade ao público, parece não avançar. A sensação é a de estar assistindo a um mesmo diálogo com a única mudança de atores e cenários durante todo o filme. Isso acaba fazendo com que o espectador perca o interesse pelos desmembramentos da obra.

A direção segue toda a ineficácia do resto do filme. Cronenberg tenta fazer algo diferente do que estava acostumado, prezando sempre por enquadramentos incomuns, procurando mostrar a estranheza que tange aqueles personagens e aquela sociedade. Porém, isso acaba apenas limitando a campo de imersão do espectador, causando certo desconforto em quem assiste. Outro problema aqui é a mediocridade dos ambientes que permeiam o filme. Ficaremos limitados a certos planos, como em um carro ou uma rua. A constituição daquele universo futurista acaba ficando comprometida por causa disso.

O elenco conta com diversas aparições de bons atores durante sua duração, como Paul Giamatti e Juliette Binoche. No entanto, o insucesso de seu protagonista é o que acaba caracterizando o filme. Robert Pattinson está claramente mal escalado para o personagem. Seu personagem demanda um ator mais intenso e que demonstraria uma maior carga de perigo ao ambiente que o cerca. Pattinson é muito tranquilo para o personagem. Nas cenas mais exacerbadas sua frieza acaba comprometendo seu impacto.

‘Cosmópolis’ é um dos piores filmes da carreira de David Cronenberg. Um filme que, de alguma forma, tentou passar ao espectador noções sobre a banalização de sentimentos em uma sociedade doente, mas que falhou na concepção de roteiro, direção e elenco. Nada se salva aqui. E, como dito anteriormente, uma obra que jamais deveria ter saído do papel.

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