Crítica: ‘Victoria’(2015), de Sebastian Schipper

O cinema, ano após ano, tem filmes lançadas que são tidos como grandes inovações. Por vezes trazendo longas durações, em outras sendo uma nova tecnologia adaptada para as telas. São inúmeras as chamadas inovações aderidas através do tempo. Muito bem. Entretanto, o grande problema é que alguns filmes se esquecem do essencial no cinema, fazer um filme com conteúdo.

‘Victoria’ se inclui em um dos piores ramos que um filme pode estar, aquele que decide criar algo simplesmente por criar. O filme, gravado em apenas um take com um plano-sequência de 138 minutos, jamais se propõe em criar uma história densa. A única motivação do diretor Sebastian Schipper é a de fazer um filme inteiro feito em uma tomada só. O roteiro novelesco do filme desafia a inteligência de seu espectador. E, mesmo contando com uma protagonista talentosa, a experiência de assistir a produção alemã é extremamente entediante.

A história se passa em uma noite, na Alemanha, onde uma jovem estrangeira se envolve nas mais diversas aventuras com um grupo de jovens locais. O filme segue com sua câmera exclusivamente as experiências da jovem. O filme é dela.

O comando do filme é dado para a atriz Laia Costa, que consegue segurar as mais de duas horas de filme com extrema competência. A espanhola tem o papel de dar substância a uma personagem inocente e aventureira. A simplicidade de sua atuação é o que dá o tom da personagem. Sua performance acaba por abafar todo o resto do elenco, que não tem o mesmo talento para acompanhar a protagonista.

O roteiro do filme é bem limitado e presunçoso. As situações que os personagens acabam enfrentando no decorrer do longa, além das decisões tomadas por eles, beiram o ridículo. A construção da personagem principal é outro problema latente do roteiro. Suas ações e falas parecem as de um indivíduo com sérios problemas mentais, sendo semelhantes à personagem de Bjork, em ‘Dançando no Escuro’(2000). A reta final do filme ganha contornos surreais, onde os personagens agem completamente diferente da maneira de como se comportavam no início do filme.

A direção de Sebastian Schipper abre mão da estética do filme em virtude da realização do plano-sequência de 138 minutos, onde consome toda a película. A decisão por fazer o filme desta forma se deve muito mais a um caráter de limitação das habilidades do diretor do que o contrário. Às vezes é mais fácil fazer o que aparenta ser o mais complicado. E o alemão parece deixar claro isso no filme. A trilha sonora é outro ponto penoso do filme, aparentando estar ali unicamente para cobrir eventuais problemas técnicos surgidos no decorrer da trama. Nutrindo motivações semelhantes às de Alejandro G. Iñárritu, em ‘Birdman’(2014), Schipper não consegue criar uma atmosfera atraente como o longa norte-americano.

O cinema precisa de realizadores preocupados em criar uma obra que tenha alguma substância, e não, como é o caso no longa-metragem alemão, de jogar nas telas algo ausente de sentido. ‘Victoria’ é ruim. Sim, é ruim do começo ao fim. O único ponto positivo do filme, a ótima atuação da protagonista, não diminui a experiência negativa de assistir a ele. Deveríamos cultuar mais nome como os de Bela Tarr e Michael Haneke e menos os de Iñárritu e companhia. Cinema ausente de sentido não é cinema.

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