Top10: Dez Filmes Sobre a Inexorabilidade do Tempo Que Você Precisa Assistir

Neste Top10, procuramos listar filmes que trabalham o conceito de tempo como uma estrutura móvelmutávelefêmera e inegociável. As obras abaixo são, em sua totalidade, frias e cruéis em seus desnivelamentos. Aqui o tempo surge como uma condenação, provocando angústias, aversão a atos do passado e uma solidificação do aspecto nostálgico nos personagens abordados.

 

10º – Mishima – Uma Vida em Quatro Tempos (Paul Schrader, 1985)

O filme traz a vida de um escritor japonês destrinchada em quatro capítulos sobre diferentes fragmentos de sua vida. Aqui a figura do tempo é mutável, se ajustando aos nuances do protagonista. O filme também aborda o conceito de devir no ser humano, estudando as alterações do comportamento do homem através da experiência obtida em sua vida. ‘Mishima – Uma Vida em Quatro Tempos’ é um filme potente sobre as exacerbações humanas inerentes à espécie. Leia Nossa Crítica do Filme!

 

9º – Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)

Trazendo a história de vida do boxeador Jake La Motta, ‘Touro Indomável’ mostra como o comportamento autodestrutivo de um homem acaba limitando sua prolífica carreira no boxe e influenciando sua vida pessoal. O tempo atua como elemento destrutivo para La Motta. Cada momento ultrapassado traz uma constante degeneração no construto psicológico do homem ao invés de lhe trazer uma experiência positiva.

 

8º – Memórias de Um Assassino (Joon-ho Bong, 2003)

Um serial killer aterroriza um pequeno vilarejo coreano no ano de 1986, matando e estuprando jovens mulheres em noites chuvosas. Dois detetives são incumbidos de descobrirem a identidade do assassino, mas a missão acaba se apresentando mais difícil do que aparentava. ‘Memórias de Um Assassino’ esmiúça como determinadas experiências, simplesmente, não podem ser esquecidas pelo indivíduo. O tempo aqui atua como uma estrutura solidificada, imutável e determinante. Os detetives se veem presos na investigação do assassinato mesmo muitos anos depois do desfecho do caso.

 

7º – O Silêncio do Lago (George Sluizer, 1988)

Após sua namorada sumir misteriosamente em um posto de gasolina, um homem trabalha de todas as formas possíveis para descobrir o que aconteceu com a mulher. Duro, ‘O Silêncio do Lago’ investiga a figura da obsessão e como alguns fatos da história de um indivíduo são enraizadas, tornando-se imutáveis. Leia Nossa Crítica do Filme!

 

6º – Primavera, Verão, Outono, Inverno… E Primavera (Ki-duk Kim, 2003)

Um jovem viaja até um lugar isolado, onde um mestre budista vive em um templo sobre um lago, a procura de sabedoria para guiar seus passos sobre o mundo. O filme, como o próprio título denuncia, é um estudo sobre as diferentes estações da vida. Experiência e ingenuidade são desmembradas a cada minuto do filme, revelando todos os pontos positivos e negativos sobre cada aspecto.

 

5º – O Cavalo de Turim (Béla Tarr, 2011)

No final do século XIX, um fazendeiro rural é obrigado a lidar com o envelhecimento de seu cavalo, o principal instrumento de trabalho de sua família, deparando-se com uma encruzilhada sem muitas opções. O filme trabalha sobre o conceito filosófico de eterno retorno, onde o momento é visto como a instância de maior valor na vida do ser humano.

 

4º – Amnésia (Christopher Nolan, 2000)

Vivendo unicamente sob os aspectos de sua memória de curto prazo, um homem busca incessantemente pelo assassino de sua esposa. ‘Amnésia’ é um filme sobre os nuances do construto psicológico humano e nossa possibilidade única de substanciar uma vida em qualquer elemento do mundo, seja ele socialmente plausível ou não. Aqui, assim como em ‘O Cavalo de Turim’, somos inundados com o conceito de eterno retorno, onde o aqui e agora é a única coisa que temos.

 

3º – Juventude (Paolo Sorrentino, 2015)

A trama segue um pequeno fragmento da vida de dois homens, já em uma idade avançada, que estão passando um feriado nos Alpes. ‘Juventude’ guia toda sua trama com uma aura melancólica (algo já tradicional no cinema do italiano Paolo Sorrentino), mostrando dois homens refletindo sobre experiências passadas e confabulando sobre a beleza humana. O tempo aqui é mostrado como uma estrutura implacável, ele machuca os personagens. Oportunidades perdidas, romances inacabados e amizades mal resolvidas são debatidas por todos ali inseridos.

 

2º – Irreversível (Gaspar Noé, 2002)

O filme começa com a sentença: “O tempo destrói tudo”. Eventos de um trágico acontecimento são contados do fim para o começo, mostrando toda a crueldade do acaso. Aqui o tempo é mostrado como uma esfera intocável, rápida e implacável. A opção de alterar o modelo cronológico padrão de contar a história somente produz mais substância aos já pesados acontecimentos da trama.

 

1º – Morangos Silvestres (Ingmar Bergman, 1957)

Um homem idoso é obrigado a enfrentar o vazio existencial que sua vida se transformou após reger sua vida por uma frieza indissociável nos contatos sociais. ‘Morangos Silvestres’ mostra como experiências passadas jamais podem ser recuperadas ou transformadas e pondera sobre o aspecto niilista nostálgico que acaba retirando o indivíduo do mundo real. Uma obra-prima em todos os seus aspectos.

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