Crítica: ‘Um Assaltante Bem Trapalhão’(1969), de Woody Allen

Servindo de experiência para futuros filmes com uma temática parecida, ‘Um Assaltante Bem Trapalhão’ possui um ritmo inconstante, perdendo o foco em vários momentos, mas que cumpre sua proposta de apresentar ao seu público uma comédia despretensiosa sobre a vida de um homem inábil nas rotinas de sua vida. Woody Allen, ainda em começo de carreira, comanda a direção, roteiro e, também, protagoniza este filme.

Seguindo os passos de Virgil Starkwell, um criminoso nada habilidoso, a trama possui como objetivo esmiuçar toda a vida do personagem, investigando sua infância inocente até sua dificuldade em lidar com as obrigações sociais. Possuindo apenas 85 minutos de duração, o filme segue uma rotina de piadas e situações cômicas constantes, sempre expondo o senso do ridículo ao qual o personagem está submetido.

O filme procura destrinchar os passos de Virgil propondo uma velocidade sempre frenética sobre o encadeamento de situações que o personagem passa. Escolhendo fragmentar de forma aleatória a vida do homem, o filme tateia sobre seu presente, vivendo rotinas criminosas, assaltando bancos e afins, volta para o passado, com sua vida escolar e suas diferentes formas de obter diversão, e vislumbra seu futuro. E aqui é que o filme se diferencia do tradicional, expondo uma forma diferente de trazer cada cena ao espectador.

Teremos uma espécie de documentário da vida do personagem. Veremos entrevistas com os pais do homem, histórias de antigos professores e amigos e a figura de um narrador que evidencia seus movimentos sobre a vida. Expondo-se ainda de uma forma crua e inacabada, a obra serve como protótipo de ‘Zelig’(1983), que Woody Allen dirigiria mais de uma década depois.

As cenas cômicas trabalhadas pelo filme seguem um modelo mais primitivo de humor, pautando-se em piadas extremamente rápidas e simples e situações onde a comédia emana das cenas mais físicas, com a inabilidade do personagem em realizar as tarefas as quais se propõe. Vale dizer que os momentos mais virtuosos do filme são oriundos exatamente da figura do narrador da história, norteando o espectador em cada cena.

Apesar de curta, a história acaba perdendo o seu bom ritmo proposto em seu início. Do segundo terço até o final, o filme acaba ficando inconstante, exagerando na repetição de situações que deram certo em um primeiro momento, tornando-as insossas em vários pontos. Essa repetição insistente, algo que Woody Allen conviveria bastante nessa parte inicial de sua carreira, faz o filme perder qualidade, mas não chega a comprometer o seu todo.

Woody Allen entrega um trabalho competente à frente da direção e roteiro. O roteiro se vale de tiradas rápidas, empregando alguns elementos positivos para dar dinamicidade ao filme, tropeçando apenas na já dita repetição de acontecimentos. No campo da direção, Allen opta por um ritmo mais voraz, pautando-se em cenas curtas, que se alteram de forma veloz, sempre com uma edição bastante atuante.

Os atores que compõem o elenco são limitados, entregando todo o trabalho de condução do filme a Woody Allen no papel do protagonista. Allen possui uma atuação guiada por uma comédia física, possuindo pouco espaço para a emissão de diálogos, já que o narrador é quem comanda essa parte.

Inconstante, com erros em sua proposta geral e repetitivo, ‘Um Assaltante Bem Trapalhão’ não é um dos melhores trabalhos da carreira de Woody Allen, mas também não se faz um filme ruim. Muito pelo contrário. O começo positivo, as ideias interessantes e pouco usuais de condução pela figura de um narrador e, até mesmo, o fato de saber usar alguns clichês a seu favor faz deste filme um bom divertimento ao seu espectador.

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