Crítica: ‘JFK – A Pergunta que Não Quer Calar’(1991), de Oliver Stone

Temos aqui uma declaração de amor de Oliver Stone ao cinema
e aos temas que marcaram a sociedade americana no século XX. Uma das melhores
direções de todos os tempos e, com certeza, o melhor trabalho da carreira do
genial diretor. Cada cena aqui é necessária. Nada é desperdiçado por um roteiro
impecável. O elenco é formado por comprometimento, no qual cada item desempenha
seu melhor.

Não é fácil fazer uma adaptação cinematográfica de um tema
tão espinhoso da cultura norte-americana. Qualquer erro aqui no âmbito de sua
produção poderia por fim ao projeto. E, mais do que isso, é uma tarefa árdua
juntar todos os detalhes de material importante para condensar em um roteiro.
Geralmente um filme com tema parecido caminha pelo campo da invenção,
desprezando aspectos reais da história para entreter o espectador ou, ao
contrário, faz um filme verossímil, que acaba por se tornar entediante. O
grande mérito do filme é não cometer erros comuns em produções semelhantes,
como ‘J. Edgar’(2011) ou ‘Hitchcock’(2012). Não nos é dada uma visão única,
temos a autonomia de discordar ou não das atitudes do protagonista. A história
contada dá a possibilidade de várias interpretações.

A direção abusa da “irresponsabilidade” durante o filme.
Oliver Stone nos brinda com diversas formas de direção em um filme só. Ora
temos um tom documental e nostálgico, ora moderno. A grande sacada aqui é
realizar essa coesão de estilos com uma edição competente. A edição é o grande
destaque do filme. A cada cena temos cortes que dão um tom assustador ao filme.
Algo jamais visto anteriormente. Joe Hutshing e Pietro Scalia nos presenteiam
com uma das melhores edições já concebidas no cinema. Pouco filmes se aproximam do que é
visto aqui.
Responsável pela trilha sonora, John Williams consegue dar o
tom certo para o filme, flutuando pelo campo da melancolia e do suspense. Sua
virtude em seu trabalho é não tentar criar uma atmosfera por si própria e apenas
acompanhar a trama, sem extravagâncias.
Quando fugimos para o campo de elenco, somente confirmamos a
competência de seu diretor. Todos aqui estão bem, não há nenhuma exceção. Temos, ao menos, 20 nomes de peso participando do filme. Todos com participações
relevantes para a trama. Todos dando seu melhor. E, assim como em ‘Platoon’,
Oliver Stone conta com um ator mediano para seu papel principal. Kevin Costner está no seu limite, nos dando uma atuação competente. Seu personagem está
presente em cada cena durante o longo filme (206 minutos), o que só demonstra o
comprometimento do ator.
Geralmente, quase que como lei, filmes com tons
biográficos tomam caminhos tortuosos ao espectador. Ao começo do filme, a expectativa é de um filme insosso como vários outros
que tratam de temas semelhantes. No entanto, o nome de Oliver Stone alavanca todos os desnivelamentos da trama, melhorando filmes anteriores (o diretor já tinha entregue anteriormente o bom ‘The Doors’, que
acompanha a vida de Jim Morrison). Oliver Stone dedicou grande parte de sua
vida no cinema denunciando os horrores das guerras vividas por seu
país (principalmente a do Vietnã). Filmes como ‘Platoon’(1986) e ‘Nascido em 4
de Julho’(1989) se assemelham em determinados pontos com ‘JFK’. Apesar do
contorno político de ‘JFK’, temos latente o tema guerra durante todo o filme.
Cuba e Rússia soam aqui como motivações da arquitetura do assassinato do
presidente americano. Ao começo do filme, já percebemos que se trata de algo
único. São mais de 3 horas de duração que se passam de forma leve, sem em
momento algum cansar o espectador. Filme ímpar, que demonstra o empenho de
todos os ali envolvidos.

Nota CI: 8,4 Nota IMDB: 8,0

Filmografia:
JFK. Direção: Oliver Stone. 1991. 206 min.
J. Edgar. Direção: Clint Eastwood. 2011. 137 min.
HITCHCOCK. Direção: Sacha Gervasi. 2012. 98 min.
DOORS, The. Direção: Oliver Stone. 1991. 140 min.
PLATOON. Direção: Oliver Stone. 1986. 120 min.
NASCIDO em 4 de Julho. Direção: Oliver Stone. 1989. 145 min.
Título Original: Born on the Fourth of July.

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