Crítica: ‘Enraivecida na Fúria do Sexo’(1977), de David Cronenberg

David Cronenberg entrega aqui um filme fraco, sem brilho, que passa longe de chegar perto da qualidade empreendida pelo diretor nas décadas posteriores. Tanto direção quanto roteiro deixam a desejar com trabalhos abaixo do medíocre. Um filme que, mesmo contendo algumas ideias boas, não consegue prender o espectador em sua atmosfera. ‘Enraivecida na Fúria do Sexo’ ainda padece com sua fotografia amadora e uma edição precipitada.

O filme vai contar a história de uma mulher que, após se envolver em uma cirurgia experimental, desenvolve uma estranha atração por sangue humano. Junto com essa atração, surge uma espécie de doença que se prolifera à medida que a mulher ataca as outras pessoas, dando início a um caos generalizado na cidade onde o filme acontece.

Seguiremos um padrão de ritmo único proposto por Cronenberg, onde acaba predominando o clima soturno do filme. Os desnivelamentos iniciais da história acabam ocorrendo de uma maneira muito rápida. Não conseguimos absorver o que realmente está acontecendo antes do desenvolvimento da estranha patologia por parte da protagonista. Os curtos minutos que separam o início do filme até a cirurgia que muda a história não contam muita coisa. Alguns diálogos e cenas são jogados ali sem nenhuma conexão com eventos do filme.

No momento em que os eventos de fato começam a acontecer, o filme ganha um leve aumento de qualidade na história. Aumentamos o nosso interesse pelo que está acontecendo naquele ambiente e com aquelas pessoas. No entanto, esse aumento de interesse se dissipa rapidamente após os acontecimentos se tornarem repetitivos e não avançarem. Isso acontece até o final do filme. Essas repetições acabam se tornando insossas e tirando completamente o interesse do espectador pelas cenas que finalizam o filme.

A direção de David Cronenberg é fraca, demonstrando um profissional ainda sem o grau de experiência necessária para comandar um longa-metragem. As cenas centrais do filme acontecem sem peso dramático e as situações de tensão emitidas ao espectador são todas antecipadas, já sabemos o que irá acontecer segundos antes de a cena avançar para seu desfecho. Outro fator que desempenha um papel preponderante em não elencar tensão no espectador é a edição do filme. Comandada por Jean LaFleur, a edição é permeada de cortes que não deixam a cena se desenvolver por completo. Já em outros momentos, veremos uma sucessão de cortes que servem como uma espécie de “spoiler” para os desmembramentos do filme. Porém, o ponto que sepulta qualquer chance de sucesso do filme é a cinematografia horrorosa de René Verzier, que escolhe por enquadramentos típicos de produções de baixo orçamento para a televisão, sem nenhum tipo de profundidade e uma utilização sem vida das tonalidades presentes na obra.

O elenco do filme está regular nos 91 minutos que compõem a obra. O roteiro fraco, os enquadramentos ruins e a impossibilidade de ter um arco contínuo em tela retiram qualquer chance de algum ator se destacar aqui. A posição de protagonista do filme foi dada a Marilyn Chambers que baseia sua atuação em gritos e expressões de terror.

‘Enraivecida na Fúria do Sexo’ é um filme de terror fraco que, infelizmente, não possui quase nenhum dos elementos que David Cronenberg eternizou na sua filmografia nos anos posteriores ao lançamento desta obra. Um filme curto que, no entanto, acaba se fazendo insosso em diversos momentos. Dispensável, a obra acaba se tornando importante apenas para analisarmos o processo de evolução do diretor.

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