Crítica: ‘As Vantagens de Ser Invisível’(2012), de Stephen Chbosky

Utilizando um tema explorado ao máximo, a adolescência, Stephen Chbosky nos traz um filme que tenta ser diferente, tratando os nuances da fase de maneira suave, porém sem perder a complexidade presente nos personagens ali inseridos. ‘As Vantagens de Ser Invisível’ não consegue fugir dos inúmeros clichês presentes no gênero, mas a trama envolvente, os personagens bem explorados e o elenco competente acabam por fazer com que o filme se diferencie entre os outros.

O filme vai trazer a história de Charlie, um adolescente tímido, que tem como objetivo o de sobreviver ao hostil ambiente escolar. Na busca por seu objetivo, Charlie acaba conhecendo Patrick e Sam e acaba formando um forte vínculo de amizade. Vemos surgir na trama diversos temas complicados de serem abordados, como abuso sexual e homossexualismo.

Os problemas na trama não demoram a aparecer. Determinados acontecimentos da vida dos personagens demoram a ser revelados, fazendo parecer ao espectador que estes só estão ali para dar uma substância maior à história. Temos também situações inverossímeis se desenrolando, parecendo que o autor os colocou na trama para tentar preencher alguns buracos e justificar ações subsequentes.

Entretanto, os erros da trama não servem para desqualificar o longa. O filme consegue abstrair diversos elementos presentes nos filmes do icônico John Hughes, o maior nome quando falamos de filmes sobre a adolescência. Temos aqui fragmentos de ‘Gatinhas e Gatões’(1984) e toda aquela aura positiva de ‘Clube dos Cinco’(1985), onde o filme não se preocupa apenas em relatar histórias palatáveis da conturbada fase, mas, sim, indo no âmago de questões complexas ali presentes, muitas vezes extremamente desagradáveis. Assim como Hughes, Chbosky decide por dar força aos diálogos, e não em cenas gráficas.

A direção de Stephen Chbosky é muito competente. Aqui ele consegue criar uma atmosfera positiva entre os personagens, sabendo explorar os ambientes disponíveis para isto. Seu único erro é tentar introduzir a força no espectador cenas colocadas ali para virar as favoritas em quem o assiste, como, por exemplo, a cena em que temos o fundo musical com David Bowie. O filme é baseado em um livro de autoria do próprio Chbosky, o que facilitou a realização de um filme coerente à obra.

O elenco é a parte que alavanca o filme. Encabeçado por nomes promissores e competentes, os jovens conseguem dar vida aos seus personagens. Temos Emma Watson muito bem no papel da adolescente tentando lidar com seus fantasmas do passado. A construção de sua personagem é muito parecida com a de Jennifer Connelly no recomendado ‘Construindo Uma Carreira’(1991), onde ambas se parecem dispostas a mudar o que foi construído em suas vidas até então. O protagonista Logan Lerman está ótimo, conseguindo convencer o espectador de que estamos diante de um adolescente tímido e um pouco perturbado. O maior acerto de Lerman foi o de conduzir a sua atuação a base da suavidade, jamais recorrendo ao exagero para a construção de determinados eventos. Porém, o destaque aqui vai para a atuação de Ezra Miller. Miller entrega um personagem estranho e em um conflito interno exacerbado. Seus trejeitos e feições caem perfeitamente no que o personagem está disposto a mostrar.

Apesar dos erros latentes de continuidade, ‘As Vantagens de Ser Invisível’ entrega tudo aquilo que se propõe. Os conflitos ali presentes são atemporais, identificando-se com qualquer adolescente, seja ele de qualquer época. As composições dos personagens são densas e complexas, sendo cada um ali refém de determinado acontecimento em sua vida. O período adolescência só foi reconhecido oficialmente como uma etapa da vida do ser humano em meados do século XX. Após esse reconhecimento foram feitos estudos e a sociedade foi se dando conta da importância desta etapa na vida. Aqui, o filme sabe retratar com fidelidade toda essa instabilidade que permeia a adolescência. Um filme que mesmo com os tradicionais clichês do gênero consegue entregar ao espectador algo diferente.

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