Crítica: ‘Tempo de Despertar’(1990), de Penny Marshall

Não são poucas as obras que abordam o quesito doença mental. A proposta de ‘Tempo de Despertar’ não foge do comum, procurando levar ao espectador mais do mesmo. São exploradas aqui as mesmas dificuldades, limitações e transtornos que a doença causa na vida das pessoas ali inseridas. Entretanto, o filme consegue destoar um pouco dos seus demais com a mesma temática na área de direção e elenco. Penny Marshall, a diretora, conseguiu tornar algo limitado e comum que era o roteiro em um filme sensível e agradável, se aproveitando das ótimas peças no elenco que tinha em mãos.

A história contada pelo filme vai focar em um médico inexperiente, Dr. Malcolm Sayer, que, procurando por um trabalho, acaba recebendo a proposta de atuar em uma clínica psiquiátrica. Apesar de se julgar não preparado para aquele trabalho, Sayer acaba por aceitar a missão. A trama, baseada em eventos reais, se passando na década de 1960, começa a ganhar corpo quando o médico descobre que os pacientes do local, que se encontravam em estado catatônico, possuíam uma ligação direta com uma epidemia de encefalite surgida décadas antes. Utilizando medicações experimentais, Sayer consegue despertar os pacientes de seu estado anterior, dando a estes a oportunidade de refazerem suas vidas. O filme também vai explorar o relacionamento entre Sayer e um homem, Leonard Lowe, que também foi despertado de seu estado catatônico.

O filme possui um roteiro razoavelmente limitado. Aqui a história anda em ritmo irregular, onde alternamos entre momentos de maior expectativa com o que está por vir, até momentos em que simplesmente não nos importamos com o desenvolvimento da história. Outro fator negativo do roteiro acaba por ser o comportamento inverossímil daqueles que foram despertados. Os pacientes aceitam de uma forma muito tranquila o fato de que haviam ficado afastados do mundo por mais de 20 anos, perdendo suas juventudes, seus familiares e suas profissões, simplesmente ocultando qualquer conflito psicológico que poderia surgir desses fatos.

A direção acaba sendo o ponto de equilíbrio do filme. Aqui, Penny Marshall consegue criar uma atmosfera convidativa para o espectador, utilizando elementos suaves e sabendo aproveitar o talento que tem em mãos. Marshall decide por deixar a história o mais palatável possível, amenizando o máximo os dramas contidos naquela história. Outro ponto que merece destaque é o belo trabalho exercido Randy Newman no comando da trilha sonora, conseguindo adequar-se perfeitamente ao que a diretora tinha em mente, utilizando temas sonoros que ajudam a conduzir a trama.

 Possuímos como protagonistas Robin Williams(Malcolm Sayer) e Robert De Niro(Leonard Lowe). Ambos estão muito bem aqui no filme. De Niro tem o papel mais difícil, tendo o trabalho em dar vida a um personagem cheio de tiques e manias. E ele não decepciona, sabendo aproveitar cada momento para deixar seu marca. Já Williams é o grande destaque do filme, se encaixando perfeitamente dentro da atmosfera do filme, ele nos traz uma performance fantástica, criando um personagem confuso e inseguro.

Penny Marshall pode não ter conseguido criar uma obra única de qualidade irretocável, porém, obtêm êxito em escolher por fazer algo leve que se enquadre para qualquer público. Ver Robin Williams e Robert De Niro juntos é outro ponto positivo do filme, onde os dois puderam ter a liberdade para criar personagens únicos. Um filme regular, mas que, sem dúvida, vale o tempo investido.

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