Crítica: ‘Maníaco’(2012), de Franck Khalfoun

Aderindo a um estilo pouco usado e completamente ineficaz, ‘Maníaco’ abre mão da estética tradicional para dar vida a sua trama. Entretanto, o maior problema aqui é que a própria trama se faz insossa e rasa, menosprezando a capacidade do espectador. O filme ainda tenta evocar na cabeça do espectador referências a grandes clássicos do gênero, como ‘Psicose’(1960) e ‘Psicopata Americano’(2000), mas erra quando confunde referências com meras repetições inócuas. Seu diretor, Franck Khalfoun, ainda escolhe por utilizar de uma violência desmedida e gratuita no andamento do filme, incomodando e deixando desconfortável o já insatisfeito espectador.

A trama nos coloca, literalmente, para seguir os passos de Frank, um jovem psicopata que sai a noite escalpelando mulheres atraentes a sangue frio. Frank possui uma loja(ou armazém) de manequins, onde utiliza os escalpes das mulheres para colocar nos bonecos. A história adentrará ao seu ponto de maior destaque quando uma mulher, amante de manequins, conhece o lugar e começa a se sentir atraída pelo trabalho de Frank, dando início a um jogo cego entre o psicopata desenfreado e a mocinha ingênua.

Em nenhum momento o filme entrega algo de qualidade para seu público. Do primeiro ao último minuto, entraremos em um imenso emaranhado de situações injustificáveis e incômodas, seja por seu aspecto estético ou pelo constante uso de uma violência gráfica. Essa primeira decisão de tentar quebrar com os paradigmas tradicionais de se fazer cinema é um tentativa frustrada.

Essa quebra com a estética se faz pelo uso de uma câmera que nos coloca no interior do protagonista. Enxergamos exatamente o que ele vê e nada mais. Esse modelo de filmagem, que usa do aspecto voyeurístico e documental, não é inédito e teve sua primeira aparição na década de 1940, com o cultuado, mas não menos horroroso, ‘A Dama do Lago’(1947). Esse estilo de filmagem é um equívoco por si só, tirando o que o cinema possui de mais substancial: a composição de seus planos.

Aqui essa preocupação é inexistente, os planos são, obviamente, tremidos, sem profundidade e visualmente agressivos. Vale a pena dizer que o filme de 2015, ‘Wild in Blue’, presta uma homenagem a este filme aqui, utilizando também do mesmo modelo de direção e a mesma temática, onde o resultado é praticamente idêntico, fracassando em todas as suas investidas. Vale a pena também ressaltar que esse estilo agressivo de se fazer cinema nem sempre foi mal utilizado. Temos como exemplo o ótimo ‘Viagem Alucinante’(2009), que, mesmo nutrindo algumas diferenças cruciais, adere a um modelo bem parecido e obtém sucesso em sua proposta.

Em anexo a esse aspecto direcional, a trama do filme é superficial demais, cada conflito surgido em tela é mal construído, pecando por utilizar situações demasiadas. Todas as cenas mais intensas do filme soam inverossímeis aos olhos do espectador, com perseguições surreais e assassinatos fantasiosos. Os personagens sempre vão dispensar em tela frases simples e que não servem para constituir um mapa de suas motivações.

O filme ainda vai citar clássicos do gênero, como dito no início da crítica. O problema é que não são referências genuínas, mas, sim, cópias vazias. Utilizaremos toda a construção anterior aos assassinatos, com músicas leves e alegres, exatamente como ‘Psicopata Americano’ e uma trama com o aspecto materno, que trata por motivar todas as ações do protagonista, assim como em ‘Psicose’.

A direção de Franck Khalfoun não elenca em todo o filme um único aspecto positivo para balancear a completude da obra. Além dos quesitos já destrinchados acima, o diretor ainda utiliza de um senso apelativo, com cenas extremamente fortes, que incomodará até o mais devoto ao gênero “slasher”, jamais justificando as suas existências. Concomitante a isso, ainda teremos uma edição monótona e uma trilha sonora que foge ao que a atmosfera do filme propõe.

Não há espaço para uma construção de elenco no filme, todas as cenas são capitaneadas por Elijah Wood. Fica até difícil definir sua atuação, já que teremos planos onde a única coisa que possuímos do ator é sua voz. Os poucos planos onde o ator aparece em forma física são sempre tomados de posturas exacerbadas e expressões faciais carregadas.

‘Maníaco’ é um filme ruim e injustificável. Sua derrocada ao fracasso não se faz unicamente pela utilização de uma estética precária na hora de sua execução, mas também por todo um roteiro equivocado e presunçoso. Os 89 minutos de duração do filme passam lentamente aos olhos do espectador. Assistir a este filme é um exercício doloroso e desnecessário.

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