Crítica: ‘Bananas’(1971), de Woody Allen

No terceiro filme como diretor de sua carreira, Woody Allen entrega ao espectador uma comédia simples, pautada sempre em resoluções básicas para os eventuais caminhos seguidos pela trama. ‘Bananas’ também segue os modelos básicos que o diretor trilhou durante toda sua filmografia, com um humor inteligente e de fácil acesso, utilizando aqui, no entanto, outros elementos que iriam se aperfeiçoar em anos subsequentes, como o ritmo rápido do roteiro, guiando-se como se fosse um show de comédia, e situações cômicas baseadas, muitas vezes, no senso do absurdo.

O filme conta a história de Fielding Mellish, um americano que gosta de reclamar da vida, na faixa dos trinta anos de idade, que, após ser “chutado” por sua namorada ativista, resolve partir para um país sul-americano que enfrenta uma situação política turbulenta, a fim de impressionar a mulher. No entanto, a situação encontrada pelo homem no lugar não fazia parte de seus planos.

Aqui, sempre seguiremos um ritmo de comédia único, mostrando, sempre de forma cômica, os passos erráticos de Fielding pelo mundo. A reta inicial segue uma linha mais introdutória, mostrando a vida do personagem desde sua rotina em seu emprego formal até o momento que decide deixar sua vida nos Estados Unidos para trás.

Apesar da linha única para o desenvolvimento da trama, o filme ainda não adere a um nível muito veloz de situações cômicas nessa primeira metade. As cenas sempre vão se basear na inabilidade do personagem em encontrar sua substância em meio à sociedade e, em especial, às mulheres.

Conforme avançamos para a vida do personagem já em seu novo país, o filme sofre uma pequena alteração na estrutura de sua trama, sempre com o mesmo ritmo, mas agora fugindo para um humor mais “desarrumado”, com situações que beiram o gênero da paródia, utilizando construções de cenas mais apressadas, que se sucedem até o final do filme.

Vale ressaltar que todas as formas de se fazer comédia usadas pelo filme acabam por funcionar. O que acontece aqui é que, às vezes, um senso de confusão acaba surgindo no espectador em virtude da quantidade de resoluções apressadas que o filme adere, fazendo este perder um pouco o foco na trama.

No comando da direção e do roteiro, como de costume, Woody Allen apresenta uma grande conjunção de elementos, ainda de uma forma meio primitiva, que veríamos no decorrer de sua filmografia. O ato de rir de si mesmo, a interação frequente entre protagonista e espectador (sem que se faça necessário sempre a quebra da quarta parede) e o estilo de comédia inteligente, sempre pegando influências de outros filmes (vale lembrar da icônica cena do sonho do personagem principal de ‘Morangos Silvestres’, clássico de Ingmar Bergman, que o filme recria de sua forma toda especial) ou materiais sobre o mundo, para atingir o público.

Inserindo-nos no campo das atuações, teremos, como único nome de destaque, Woody Allen vivendo o errático Fielding Mellish. Allen, mais frenético do que o habitual, entrega uma atuação bastante corporal, fazendo com que gestos aumentem ainda mais as já inúmeras situações cômicas presentes no filme.

Regular quando analisamos o contexto geral, ‘Bananas’ acaba se destacando por pequenos trechos extremamente divertidos, que acabam tornando o filme mais aprazível ao espectador. O filme ainda é a chance de vermos como um cineasta pode crescer com o tempo, melhorando ideias já ótimas e se destacando no gênero. Um filme curto, apenas 82 minutos de duração, que, sem dúvidas, se faz essencial para o fã de Woody Allen.

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