Crítica: ‘Férias Frustradas de Natal’(1989), de Jeremiah S. Chechik

Dando sequência a saga de Clark e sua família nos cinemas, agora no período natalino, ‘Férias Frutradas de Natal’ consegue unir todos os elementos clássicos do primeiro filme com os ingredientes típicos do período festivo. Dirigido por Jeremiah S. Chechik e roteirizado pelo lendário John Hughes, o filme tem o seu pico de qualidade no seu elenco de produtivo, conseguindo entregar ao espectador todo o conteúdo proposto.

A trama do filme, alocada em época de natal, nos coloca para seguir os preparativos da excêntrica família Griswold para o tão esperado período de festas. O filme ganha sua substância ao explorar os diversos percalços que surgem no caminho da família para a plena satisfação do desejo de todos, junto com a aparição de parentes nada aprazíveis.

Nas camadas iniciais do filme, veremos uma grande conjunção de fatores comuns ao gênero, utilizando os mais diversos clichês para trazer dinamicidade à trama. Os maiores pontos positivos deste início são alocados em conseguir trazer cenas bem construídas, como, por exemplo, a abertura com a família Griswold empenhada em obter sua árvore natalina.

Assim como no icônico ‘Férias Frustradas’(1983), primeiro capítulo da saga no cinema, conseguiremos vislumbrar todo o compêndio que compreende o cerne da família e, principalmente, de Clark. O comportamento errático do homem misturado com os valores tradicionais americanos da época propiciam ao espectador uma combinação perfeita. E aí é que se caracteriza os maiores acertos do filme.

Conforme avançamos sobre a trama, as sequências de cenas, sempre tentando trazer situações cômicas acerca de seus personagens, ficam mais intensas e dinâmicas. Outro ponto que vale ser destacado é a constituição perfeita da casa onde a trama rege seus acontecimentos. Tudo acontece naquele lugar e o destaque concretiza-se pelo bom ritmo empreendido em ambientes limitados, sempre pautando-se na figura de seu bom roteiro.

Concomitante a isso, teremos uma obra que se debruça completamente em cima do talento de seu protagonista. Chevy Chase, encarnando o personagem de Clark, nos propicia um verdadeiro show de atuação. Exacerbado, irascível e instável, Chase executa um modelo de atuação frenético, nutrindo uma intensidade inerente em cada cena, junto com seu sarcasmo característico que marcou sua carreira. Sem a presença do ator, o filme jamais conseguiria atingir toda a sua proposta. No entanto, não é só o ator que eleva a qualidade do filme.

Em determinado ponto do filme, os desnivelamentos da trama começam a entrar em um emaranhado de repetição. É quando somos apresentados ao personagem do primo Eddie, interpretado magistralmente pelo ator Randy Quaid. O personagem propicia ao filme toda uma nova dinâmica, quebrando com as repetições. Quaid, à frente do personagem, está hilário. Todas as aparições do personagem são permeadas de construções pautadas em um humor raso, mas que, pelo talento do ator, atingem seu objetivo. Ouso dizer que o personagem merecia um filme “spin-off” somente seu. Porém, infelizmente, isso nunca chegou a acontecer. Outros componentes do elenco, como Beverly D’Angelo e Juliette Lewis complementam o eixo central, entregando atuações positivas e servindo como um contraponto perfeito para toda a estranheza que rege o filme.

Adentrando à camada final da obra, somos “bombardeados” com o que há de mais habitual em filmes sobre o natal, procurando expor cenas que combinam o humor com a autorreflexão acerca dos trajetos de determinadas vidas. O legal é que até mesmo essas cenas conseguem entreter o espectador.

A direção do filme, comandada, como citado acima, por Jeremiah S. Chechik, é regular. O diretor consegue construir bem e trazer dinâmica aos ambientes explorados. Teremos também a inserção de cenas muitas vezes forçadas, com acontecimentos surreais, que, entretanto, não acarretam em algum prejuízo ao filme. Este é o filme mais conhecido dirigido por Chechik, que, em anos posteriores, jamais conseguiu alcançar um sucesso semelhante.

Férias Frustradas de Natal’ é um dos mais célebres filmes sobre o período natalino já produzidos. Sua trama afável e elenco de qualidade entregam os elementos necessários para que seja construído uma boa obra. Um filme inexorável, que, mesmo atualmente, quando revisitado, permanece extremamente divertido.

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