Não são poucas as obras que abordam o quesito doença mental.
A proposta de ‘Tempo de Despertar’ não foge do comum, procurando levar ao
espectador mais do mesmo. São exploradas aqui as mesmas dificuldades,
limitações e transtornos que a doença causa na vida das pessoas ali inseridas.
Entretanto, o filme consegue destoar um pouco dos seus demais com a mesma
temática na área de direção e elenco. Penny
Marshall, a diretora, conseguiu tornar algo limitado e comum
que era o roteiro em um filme sensível e agradável, se aproveitando das ótimas
peças no elenco que tinha em mãos.
A história contada pelo filme vai focar em um médico
inexperiente, Dr. Malcolm
Sayer, que, procurando por um trabalho, acaba recebendo a proposta
de atuar em uma clínica psiquiátrica. Apesar de se julgar não preparado para
aquele trabalho, Sayer acaba por aceitar a missão. A trama, baseada em eventos
reais, se passando na década de 1960, começa a ganhar corpo quando o médico
descobre que os pacientes do local, que se encontravam em estado catatônico,
possuíam uma ligação direta com uma epidemia de encefalite surgida décadas
antes. Utilizando medicações experimentais, Sayer consegue despertar os
pacientes de seu estado anterior, dando a estes a oportunidade de refazerem
suas vidas. O filme também vai explorar o relacionamento entre Sayer e um
homem, Leonard Lowe,
que também foi despertado de seu estado catatônico.
O filme possui um roteiro razoavelmente limitado. Aqui a
história anda em ritmo irregular, onde alternamos entre momentos de maior
expectativa com o que está por vir, até momentos em que simplesmente não nos
importamos com o desenvolvimento da história. Outro fator negativo do roteiro
acaba por ser o comportamento inverossímil daqueles que foram despertados. Os
pacientes aceitam de uma forma muito tranquila o fato de que haviam ficado afastados
do mundo por mais de 20 anos, perdendo suas juventudes, seus familiares e suas
profissões, simplesmente ocultando qualquer conflito psicológico que poderia
surgir desses fatos.
A direção acaba sendo o ponto de equilíbrio do filme. Aqui, Penny
Marshall consegue criar uma atmosfera convidativa para o
espectador, utilizando elementos suaves e sabendo aproveitar o talento que tem
em mãos. Marshall decide por deixar a história o mais palatável possível,
amenizando o máximo os dramas contidos naquela história. Outro ponto que merece
destaque é o belo trabalho exercido Randy Newman
no comando da trilha sonora, conseguindo adequar-se perfeitamente ao que a
diretora tinha em mente, utilizando temas sonoros que ajudam a conduzir a
trama.
 Possuímos como protagonistas Robin Williams(Malcolm Sayer) e
Robert De Niro(Leonard Lowe). Ambos estão muito bem aqui no filme. De Niro tem
o papel mais difícil, tendo o trabalho em dar vida a um personagem cheio de
tiques e manias. E ele não decepciona, sabendo aproveitar cada momento para
deixar seu marca. Já Williams é o grande destaque do filme, se encaixando
perfeitamente dentro da atmosfera do filme, ele nos traz uma performance
fantástica, criando um personagem confuso e inseguro.
Penny Marshall pode não ter conseguido criar uma obra única
de qualidade irretocável, porém, obtêm êxito em escolher por fazer algo leve
que se enquadre para qualquer público. Ver Robin Williams e Robert De Niro
juntos é outro ponto positivo do filme, onde os dois puderam ter a liberdade
para criar personagens únicos. Um filme regular, mas que, sem dúvida, vale o
tempo investido.
Nota CI: 6,7 Nota IMDB: 7,8
Filmografia:
TEMPO de Despertar. Direção: Penny Marshall. 1990. 121 min.
Título Original: Awakenings.